A ex-ministra do Trabalho Ana Mendes Godinho defendeu hoje, na 1.ª Cimeira Nacional de Alojamento Local, a criação de mecanismos de apoio à habitação, inspirados nas linhas de apoio para o turismo.
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07/10/2026
por
Lusa
A ex-ministra do Trabalho Ana Mendes Godinho defendeu hoje na 1.ª Cimeira Nacional de Alojamento Local (Porto) a criação de mecanismos de apoio à habitação, à semelhança das linhas de apoio para o turismo no passado.
“Porque é que não repensamos os nossos mecanismos de apoio e de promoção da habitação, à semelhança do que fizemos com o turismo?”, questionou esta tarde a diretora Estratégica de Turismo da Universidade Nova de Lisboa, Ana Mendes Godinho, ex-ministra do Trabalho e ex-secretária de Estado do Turismo nos governos de António Costa (PS).
Ana Mendes Godinho, na sessão em que falou sobre a temática “Alojamento Local, Turismo e Habitação – Como compreender as relações entre turismo, habitação e desenvolvimento urbano?” que está a decorrer na 1.ª Cimeira Nacional de Alojamento Local no Porto, recordou que no passado o turismo criou “linhas de garantia pública até para os empresários”.
“Porque não fazemos isso para as pessoas? Porque não fazemos um programa de garantia pública para os jovens, por exemplo (…)? Porque é que não fazemos o que fizemos com o turismo, de linhas da qualificação da oferta, por exemplo, em que dissemos: é prioritário o Estado estar a colocar instrumentos de apoio, através da banca? Foi feito com a banca, para a colocação e para investimento no turismo, que era uma prioridade”, assinalou.
Para Ana Mendes Godinho, resolver a crise na habitação é hoje “uma prioridade” para Portugal e é preciso aprender com o passado e com o que se fez se fez no turismo.
O sucesso dos mecanismos simples de apoio para o Alojamento Local em Portugal deveria ser replicado para apoiar e promover a habitação, observou a ex-ministra socialista.
“O facto de termos dito em 2008 que uma licença de utilização de habitação podia ser utilizada para alojamento local sem qualquer alteração do uso foi determinante para que isso acontecesse. Então, deixo aqui uma proposta: porque é que nós não aprendemos com esse sucesso e de uma forma automática? Os empreendimentos turísticos existentes, ou os projetos turísticos que estão em curso, se transformem em habitação com arrendamento acessível”.
Ana Mendes Godinho considera que faz todo o sentido o uso de licença de visão turística na habitação.
“Acho que pode ser uma proposta que, no momento atual, faz muito sentido. Nomeadamente, num contexto em que já não temos uma perspetiva de evolução de procura turística com tanta intensidade como tivemos nos últimos anos. (…) No momento em que estamos com dificuldades imensas no arrendamento, estar neste momento a agravar as condições de acesso de um jovem a conseguir ter uma casa à venda é contra natura e é contra as pessoas”

