A Associação de Dinamização da Baixa Pombalina (ADBP) reforçou o alerta para a insegurança na Baixa de Lisboa e exigiu o aumento do policiamento e a implementação de videovigilância, após uma turista ter sido baleada.
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13/08/2026
por
Lusa
“A ADBP vem, uma vez mais, manifestar a sua profunda preocupação com o crescente sentimento de insegurança vivido diariamente na Baixa de Lisboa”, afirmou a associação de comerciantes desta zona turística da capital, numa carta aberta dirigida ao ministro da Administração Interna, Luís Neves, e ao presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas (PSD).
A carta aberta da ADBP surge na sequência do incidente que ocorreu na segunda-feira na Baixa de Lisboa, onde uma turista sueca foi atingida por uma bala perdida na sequência de um desacato entre dois grupos que se dedicavam à venda de louro prensado.
Perante esta situação, a associação exigiu “o reforço urgente, efetivo e permanente do policiamento, bem como a implementação imediata do sistema de videovigilância na Baixa Pombalina”, lembrando que é uma medida que “há muito” tem vindo a ser reivindicada pelos comerciantes e empresários da zona, por ser considerada essencial para prevenir a criminalidade, proteger residentes, trabalhadores e visitantes, e “preservar a imagem internacional de Lisboa”.
“Se nada for feito num curtíssimo espaço de tempo, muito em breve, estar-se-á perante uma realidade que irá comprometer seriamente a continuidade da atividade económica da Baixa”, avisou.
A ADBP tem alertado, ao longo dos últimos anos, para o aumento da criminalidade no centro histórico de Lisboa, nomeadamente o tráfico e consumo de droga e “a venda ilegal de produtos na Rua Augusta e na zona envolvente do Largo de São Domingos”, assim como a proliferação da venda ambulante ilegal, atos de vandalismo e degradação do espaço público, situações que se propagam desde o Martim Moniz até ao Chiado.
“Os graves acontecimentos ocorridos na passada segunda-feira, em plena Rua Augusta, infelizmente confirmam os alertas que a ADBP dirigiu às diversas entidades públicas, ao longo dos anos, de forma responsável e persistente”, sublinhou.
Na perspetiva da associação, este incidente com uma turista baleada demonstra que “a situação atingiu um tal nível que torna exigível uma resposta firme e imediata por parte das autoridades públicas”, designadamente Ministério da Administração Interna, polícias, Câmara Municipal de Lisboa e magistraturas judiciais.
A este propósito, a PSP insistiu hoje que a venda de louro prensado como droga deve ser criminalizada, para facilitar a atuação das forças de segurança, considerando que o vazio legal dificulta o combate ao fenómeno, que tem mais de 20 anos.
“A PSP já fez diversas propostas de alteração legislativa para fazer face a este fenómeno da venda de louro prensado, pó de talco, gesso e outros produtos que simulam estupefaciente, de forma a conferir enquadramento e segurança jurídica à atuação da PSP, atendendo ao vazio legal atualmente existente”, afirmou esta força de segurança em resposta à agência Lusa.
De acordo com a Polícia de Segurança Pública, a principal razão para o “arrastar e agravar desta questão, assim como ao sentimento de impunidade de que estes indivíduos parecem beneficiar”, tem a ver com a falta de enquadramento legal, pelo que se defende que a venda de louro prensado “deve ser tipificada como ilícito criminal, facilitando a atuação policial e a segurança jurídica”.

