O caso de Henry Nowak, o jovem britânico que foi esfaqueado e morreu após ser algemado pela polícia em Southampton, gerou tensão diplomática entre Londres e Washington. JD Vance culpou as “elites europeias” pela tragédia, enquanto o governo britânico denunciou tentativas de ingerência.
© Finnbarr Webster/Getty Images
06/06/2026
por
“O Henry não foi, de forma alguma, o primeiro a perder a vida de forma tão desnecessária, e receio que não seja o último. Sempre que se perde uma vida como a dele, a resposta adequada – a única resposta – é a indignação justificada”, atirou.
Horas antes, o Departamento de Estado dos Estados Unidos tinha também publicado uma mensagem sugerindo que o Reino Unido se encontra em “declínio civilizacional”.
Henry Nowak died the same way a civilization dies: abandoned, handcuffed by authorities who neither trusted nor cared for him, and accused of hate crimes he did not commit. His murder is as tragic as it is enraging. He should still be alive today, and he would be if the last few… https://t.co/e3HkjzWzwU
— JD Vance (@JDVance) June 5, 2026
“O condicionamento ideológico e a aplicação da lei com dois pesos e duas medidas são sintomas evidentes do declínio da civilização. Devem ser rejeitados em todo o Ocidente”, lia-se na nota, onde foram apresentadas condolências “à família de Henry Nowak e ao povo do Reino Unido neste momento difícil”.
Ideological conditioning and two-tiered policing are glaring symptoms of civilizational decline. They must be rejected across the West.
The United States sends our condolences to the family of Henry Nowak and the people of the United Kingdom at this troubling time.
— Department of State (@StateDept) June 4, 2026
Em resposta, o gabinete do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, denunciou tentativas de ingerência por parte dos Estados Unidos. “Vemos pessoas a tentar interferir na nossa democracia e a procurar fomentar divisões nas nossas ruas”, declarou um porta-voz do número 10 de Downing Street, em comunicado.
“A família Nowak está de luto após o terrível homicídio de Henry. A família afirmou que não quer que a morte dele seja usada para criar mais divisão, ódio ou tensão. Devemos respeitar os seus desejos”, acrescentou.
O primeiro-ministro britânico já tinha acusado esta semana também o empresário multimilionário Elon Musk de tentar “semear a discórdia” no Reino Unido e de se intrometer na política britânica, na sequência de críticas ao Governo.
“[Elon] Musk, mais uma vez, tem-se intrometido na nossa política nos últimos dias, tentando semear a divisão”, disse o primeiro-ministro inglês, Keir Starmer, durante uma visita a York, no norte de Inglaterra.
Em causa estava o facto de o dono da rede social X ter publicado vários comentários na sua plataforma sobre a resposta da polícia ao esfaqueamento do estudante de Finanças na Universidade de Southampton.
Henry Nowak foi assassinado a 3 de dezembro de 2025 com uma faca por Vickrum Digwa, de 23 anos. Na altura, o homicida disse aos agentes que tinha agido uma “faca religiosa” em legítima defesa após ser alvo de insultos e agressões.
No entanto, imagens divulgadas na terça-feira pela polícia de Hampshire mostram que o jovem alertou várias vezes os agentes que não conseguia respirar e que tinha sido esfaqueado.
“Não consigo respirar. Fui esfaqueado”, disse o jovem. “Acho que não, amigo”, respondeu um dos polícias. Os agentes obrigam-no, depois, a sentar-se, para ser algemado.
Perante as queixas de Nowak, um dos agentes é visto a levantar a camisa do adolescente, antes de o deixar deitado de lado. “Ele não foi esfaqueado”, ouve-se uma voz masculina. O jovem morreu três minutos depois.
Na segunda-feira, Digwa foi condenado à prisão perpétua com uma pena mínima de 21 anos pelo homicídio.

