O Fundo Monetário Internacional (FMI) considerou hoje que a economia europeia resistiu melhor do que o inicialmente previsto ao impacto da guerra prolongada no Médio Oriente, graças, em parte, aos progressos na transição energética.
© iStock
16/10/2026
por
Lusa
O Fundo Monetário Internacional (FMI) considerou hoje que a economia europeia resistiu melhor do que o inicialmente previsto ao impacto da guerra prolongada no Médio Oriente, graças, em parte, aos progressos na transição energética.
“Numa perspetiva geral, a Europa enfrentou o impacto inicial do conflito muito melhor do que se temia”, afirmou o diretor do Departamento Europeu do FMI, Mateusz Szczurek, na apresentação das perspetivas económicas regionais durante as Reuniões Anuais do FMI e do Banco Mundial em Banguecoque.
Segundo o responsável, a crescente adoção de energias renováveis permitiu reduzir a dependência dos combustíveis fósseis importados, o que ajudou a amortecer os efeitos do choque energético provocado pelo conflito.
“Trata-se de um dos sucessos das políticas europeias. O crescimento é mais baixo do que se esperava antes da guerra, mas não tão baixo como receávamos”, disse.
Apesar disso, Szczurek alertou que os elevados preços da energia continuarão a penalizar a atividade económica e que a incerteza permanece elevada.
“O crescimento continua frágil e medíocre”, afirmou.
Para a zona euro, excluindo a Irlanda, o FMI prevê um crescimento de 1,2% em 2026, valor próximo do potencial de crescimento da maioria das economias avançadas da região.
A instituição estimou um crescimento da economia portuguesa de 2,1% este ano e 1,9% no próximo, mas prevendo que Portugal registe um saldo orçamental nulo este ano e também em 2027.
Nos países da Europa Central, Oriental e do Sudeste, o crescimento deverá atingir 2,2% em 2026, antes de acelerar modestamente em 2027, permanecendo abaixo da média de cerca de 3,5% registada nas últimas décadas.
Relativamente à inflação, a instituição prevê que permaneça acima da meta na zona euro até 2028 e durante mais tempo em alguns países da Europa Central e do Sudeste.
“Num ambiente como este, a política macroeconómica tem de ser conduzida com cuidado e evitar que as pressões inflacionistas se tornem permanentes”, defendeu.
Segundo o FMI, a política monetária poderá ter de manter uma orientação restritiva, enquanto a política orçamental não deverá contribuir para agravar as pressões sobre os preços.
Szczurek assinalou que as medidas de apoio aos custos energéticos foram, em grande medida, retiradas, mas advertiu que os governos enfrentam crescentes necessidades de despesa, em particular nas áreas da defesa, saúde e pensões.
“Muitos países terão de combinar consolidação orçamental com reformas que impulsionem o crescimento para manter a dívida pública sustentável”, afirmou.
O responsável sublinhou que a principal mensagem das perspetivas económicas regionais deste ano é a necessidade de a Europa apostar em reformas estruturais para reforçar a inovação, a produtividade e a resiliência.
“As medidas protecionistas e as políticas industriais abrangentes podem comprar tempo, mas não prosperidade”, declarou.
Entre as prioridades identificadas pelo FMI está a continuação da transição energética. O fundo defende igualmente o aprofundamento do mercado único europeu e a eliminação de barreiras nos mercados de bens, serviços, trabalho, capitais e energia.
“A fragmentação do mercado único limita a capacidade das empresas europeias crescerem e reduz a possibilidade de utilizar da melhor forma as poupanças da economia europeia”, afirmou Szczurek.
O responsável acrescentou que muitos dos ganhos de produtividade podem ser alcançados através de reformas nacionais.
“O que precisa de ser feito varia de país para país, mas aumentar a oferta de trabalho, melhorar as competências, reformar os mercados laborais, os regimes de insolvência e os sistemas fiscais pode ajudar as empresas a expandirem-se e a reduzir os diferenciais de produtividade”, sustentou.
Apesar dos desafios, Szczurek considerou existirem sinais encorajadores de redução gradualconcluiu. de algumas barreiras económicas na União Europeia.

