Mais de 500 mil nos protestos em França. Manifestante com mão amputada

Mais de 500 mil nos protestos em França. Manifestante com mão amputada

Mais de 500 mil pessoas participaram hoje nos protestos em França, segundo o balanço da Confederação-Geral dos Trabalhadores (CGT), tendo um manifestante ficado com uma mão amputada na sequência de uma granada lançada pela polícia em Saint-Étienne, segundo a AFP.

© Getty Images


17/10/2026
por

Lusa

A CGT, uma das principais centrais sindicais de França, saudou “mais um grande dia de mobilização, o maior desde o início do ano letivo”, com “1.750 manifestações ou protestos em toda a França” e “mais de 500 mil manifestantes” até às 17h00 (16h00 em Lisboa).

 

Após os confrontos entre manifestantes e a a polícia, a central sindical defendeu que o governo francês “deve parar com a repressão e responder imediatamente às reivindicações sociais”.

Segundo avançou a AFP, citando uma fonte próxima do caso, um manifestante ficou hoje com uma mão amputada, em Saint-Étienne, no centro de França, na sequência de o lançamento de uma granada por parte das forças policiais.

Este é o segundo caso deste género depois de no início de outubro um adolescente de 15 anos ter perdido a mão em devido a uma granada de atordoamento disparada pela polícia em Lens.

Manifestantes provocaram incêndios e danificaram edifícios em várias cidades francesas durante os protestos de hoje contra o aumento do custo de vida e as condições nas escolas.

Em Paris, registaram-se confrontos entre a polícia e grupos de manifestantes que se juntavam a uma marcha no âmbito da jornada nacional de protesto contra o aumento do custo de vida e em apoio às reivindicações dos estudantes do ensino secundário.

A polícia recorreu a gás lacrimogéneo para dispersar centenas de manifestantes encapuzados e mascarados que arremessavam petardos e outros objetos contra as forças de segurança na Praça da República, ao mesmo tempo que gritavam “Macron, demissão”. Para o local foi destacado um forte contingente do corpo de intervenção.

Por toda a França, milhares de pessoas responderam a apelos nas redes sociais para reativar o movimento dos “coletes amarelos”, que surgiu em 2018 contra a injustiça social.

Grupos de estudantes, em protesto desde meados de setembro através de bloqueios de escolas, apelaram aos seus apoiantes para se juntarem às ações.

Segundo o gabinete do ministro do Interior, Laurent Nuñez, as autoridades registaram 140 ações de protesto fora da região de Paris até ao meio-dia, envolvendo mais de 30 mil pessoas.

As autoridades deram conta de pelo menos 166 detidos em todo o país.

O gabinete do ministro do Interior assinalou atos de violência praticados por indivíduos encapuzados em Paris, Marselha, Rennes, Toulouse e Angers, incluindo tentativas de pilhagem, agressões a agentes policiais, incêndios em mobiliário urbano e ataques a instalações governamentais e órgãos de comunicação social.

Na cidade portuária de Marselha, no sul do país, alguns estabelecimentos comerciais e uma esquadra da polícia municipal sofreram estragos, e manifestantes invadiram por momentos o átrio da Câmara Municipal.

Na sexta-feira, o Presidente Emmanuel Macron reconheceu “o direito constitucional de protestar e de expressão”, mas fez um apelo à calma.

“Este direito exige respeito. Respeito pelas pessoas, respeito pelo património e, portanto, o compromisso de não insultar nem destruir”, disse.

A polícia proibiu outras concentrações previstas para o centro de Paris e determinou o encerramento de estações de metro durante o dia de hoje, incluindo as que se situam em redor dos Campos Elísios e nas proximidades do Palácio do Eliseu, do parlamento e de edifícios governamentais.

Nas últimas semanas, França registou milhares de detenções, centenas de feridos e escolas incendiadas, num início de ano letivo marcado por protestos estudantis à escala nacional que estão a condicionar a campanha para as eleições presenciais e a atrair as atenções internacionais.

Manifestantes provocam incêndios e danificam edifícios em cidades francesas

Manifestantes provocaram incêndios e danificaram edifícios em várias cidades francesas durante protestos contra o aumento do custo de vida e as condições nas escolas.

Lusa | 15:24 – 17/10/2026

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