O secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Emídio Sousa, defendeu hoje no Aeroporto do Porto que Portugal tem, cada vez mais, de “deixar de exportar pessoas” e passar a “exportar bens e serviços”.
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31/08/2026
por
Lusa
“Hoje até há uma nova emigração altamente qualificada que sai das universidades e vai trabalhar para grandes empresas, para os Estados Unidos, para o Reino Unido ou para a Suíça, por exemplo”, disse Emídio Sousa.
Questionado pela Lusa sobre se não seria mais benéfico para o país se essa “emigração altamente qualificada” ficasse em Portugal, o secretário de Estado concordou, mas admitiu que isso só será possível quando o país atingir “um nível de desenvolvimento que nos permita ter salários mais elevados”.
Emídio Sousa falava no Aeroporto do Porto, no encerramento do projeto “Obrigado e Boa Viagem”, iniciativa dedicada a portugueses e lusodescendentes.
“Se há 50, 60, 70, 80 anos a emigração era essencialmente económica, quase exclusivamente económica, atualmente é também um desafio científico e vontade de conhecer novos mundos”, disse.
Em seu entender, o importante é manter “a ligação, boas memórias e a vontade de voltar”.
“A economia portuguesa e a nossa vida aqui, para todos os portugueses, pode melhorar muito se nós conseguirmos potenciar ao nível do mundo dos negócios e da economia, que é o que eu estou a tentar fazer com o programa Portugal Nação Global”, disse.
O Portugal Nação Global é um evento de negócios que “procura relacionar empresas portuguesas com os portugueses e os estrangeiros, muitos com muito sucesso, e que vale a pena voltar a tê-los cá, quer como investidores, quer como parceiros de negócios”, acrescentou.
Emídio Santos defendeu ainda a ideia de que Portugal “deve deixar de ser uma nação geográfica e passar a ser uma nação de pessoas, de comunidades”.
“As comunidades portuguesas fazem parte integrante de Portugal, independentemente do lugar onde vivem”, sustentou.
“E nós aí temos uma dimensão mundial muito significativa. Portanto, eu penso que hoje a sociedade portuguesa já está cada vez mais consciente que este é um grande ativo do país. Eu diria que haverá muito poucas famílias, se é que há alguma, que não tenha no seu histórico de vida e de família alguém emigrado”, afirmou.
Presente na iniciativa, o presidente do Turismo Porto e Norte de Portugal, Luís Pedro Martins, salientou que cada lusodescendente que regressa ao seu país de acolhimento é um promotor turístico de Portugal, do Porto e do Norte.
“Eles são os embaixadores que recomendam a nossa gastronomia, as nossas tradições e o nosso património”, disse.
Luís Pedro Martins destacou “a forte correlação existente entre os países que são os melhores mercados emissores para Portugal e o número de portugueses e lusodescendentes a viver nesses países”.
“Por isso queremos colocar as comunidades de lusodescendentes no centro da nossa promoção, abrindo a porta a um novo tempo que valoriza os afetos, que valoriza os nossos lusodescendentes que têm no seu ADN o pulsar e a alma portuguesa”, acrescentou.
O projeto “Obrigado e Boa Viagem” é promovido pela Associação Internacional dos Lusodescendentes desde há cinco anos na Fronteira de Vilar Formoso e alargou este ano, pela primeira vez, no Aeroporto do Porto.
“Este ano, eu fiquei responsável por este projeto e, como tínhamos um protocolo com o Turismo Porto e Norte, eu propus estender a ação para o aeroporto”, explicou à Lusa Jorge Vilela.
No encerramento da iniciativa, realizou-se um sorteio de seis prémios, com um valor global de 1.755 euros, que “refletem igualmente a diversidade e a riqueza da iniciativa, conjugando arte, design, utilidade, hospitalidade e experiências de convívio”, acrescentou o responsável pelo programa.

