Teerão nega usar Líbano como “moeda de troca” nas negociações com EUA

O chefe da diplomacia iraniana negou hoje acusações do Presidente libanês de que o Irão utiliza o Líbano como “moeda de troca” nas negociações de paz com os Estados Unidos.

© Elke Scholiers/Getty Images


06/06/2026
por

Lusa

“Se o Líbano fosse uma moeda de troca para o Irão, já teríamos chegado a um acordo há muito tempo”, respondeu Abbas Araghchi a Joseph Aoun nas redes sociais, citado pela agência de notícias espanhola EFE.

 

Aoun disse antes numa entrevista à cadeia de televisão norte-americana CNN que o Líbano estava a ser usado “como moeda de troca nas negociações com os Estados Unidos”.

“É inaceitável”, considerou o Presidente do Líbano, país que foi arrastado para a guerra israelo-americana contra o Irão pelos ataques do grupo xiita libanês pró-iraniano Hezbollah contra Israel.

“Estão a matar o nosso povo. Estão a destruir as nossas casas”, disse Aoun sobre o conflito do Hezbollah com Israel.

Aoun apelou ao grupo libanês criado e armado pelo Irão em 1982 para dialogar com as autoridades do Líbano.

Na resposta, Araghchi disse que, “a julgar pelos comentários do senhor Aoun, qualquer pessoa diria que é o Irão que ocupou uma quinta parte do Líbano, deslocou um quarto dos libaneses e bombardeia o país diariamente”.

“Salve o Líbano do seu verdadeiro inimigo, senhor Presidente”, afirmou o chefe da diplomacia iraniana, referindo explicitamente Israel.

Teerão exige que qualquer acordo com Washington para terminar a guerra desencadeada em 28 de fevereiro por uma campanha de bombardeamentos israelo-americana inclua o fim das hostilidades na frente libanesa, com a retirada das forças israelitas.

O Líbano e Israel concordaram na quarta-feira num cessar-fogo condicionado ao fim dos ataques do Hezbollah, que rejeitou a proposta e voltou a apelar às autoridades libanesas para abandonarem as negociações.

A proposta de cessar-fogo foi negociada durante uma ronda de diálogo direto em Washington, onde desde abril decorrem negociações mediadas pelos Estados Unidos e nas quais não participa o movimento xiita.

O Hezbollah arrastou o Líbano para a guerra no início de março, ao atacar Israel para vingar a morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, no primeiro dia da ofensiva dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão.

Os ataques israelitas contra o Líbano provocaram mais de 3.560 mortos desde o início do conflito, de acordo com o mais recente balanço das autoridades.

Do lado israelita, 27 soldados e um trabalhador civil contratado morreram no Líbano, segundo dados oficiais citados pela agência de notícias France-Presse (AFP).

logo_nacloset_285_285_4k_webp2
Privacidade

Este site usa cookies para que possamos oferecer a melhor experiência de usuário possível. As informações dos cookies são armazenadas em seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis.