Vídeo. Raúl Castro reaparece em público em Havana após a acusação dos EUA

O ex-presidente cubano, Raúl Castro, apareceu hoje pela primeira vez em público desde que foi acusado em 20 de maio pelos Estados Unidos do derrube de duas avionetas em 1996.

© Reprodução Televisión Cubana/ X (antigo Twitter)


06/06/2026
por

Lusa

Os aparelhos da organização de exilados cubanos “Hermanos al Rescate”, fundada em Miami para localizar refugiados no estreito da Flórida, foram abatidos por caças MiG de Cuba em 24 de fevereiro de 1996, resultando na morte de quatro pilotos.

 

Castro, acusado pela Justiça norte-americana de ter ordenado o ataque, assistiu na sexta-feira a uma cerimónia de homenagem pelo seu 95.º aniversário no Teatro Karl Marx de Havana, onde recebeu elogios do sucessor na presidência, Miguel Díaz-Canel.

O atual Presidente descreveu o irmão de Fidel Castro como um guia nacional num momento em que “a pátria vive horas cruciais”.

Díaz-Canel afirmou que Cuba está “ameaçada como nunca pelo imperialismo” devido ao bloqueio dos Estados Unidos, intensificado no final de janeiro, que disse estar a asfixiar o país.

“Nos primeiros cinco meses do ano, Cuba só recebeu um navio de combustível, de um total de 40 de que necessitaria nesse período”, lamentou, citado pela agência de notícias espanhola Europa Press (EP).

Referiu-se ainda a uma segunda ordem executiva norte-americana, já em maio, “carregada de ameaças, de sanções, confiscos e multas a qualquer empresa, banco, instituição ou pessoa que comercie ou invista em Cuba”.

Para Díaz-Canel, estas ações configuram “um ato de genocídio que impõe terríveis limitações à vida quotidiana” do povo cubano.

Perante esta crise, surge a figura de Raúl Castro como identidade nacional, disse.

“Raúl é Cuba e em Cuba não se toca”, proclamou o Presidente cubano.

“Não se toca enquanto restar uma cubana ou um cubano dignos com vida para colocar um escudo onde o inimigo pretenda colocar a bala”, afirmou.

Díaz-Canel terminou um discurso com forte pendor historicista com um apelo à paz e ao diálogo.

“Cuba não provoca, não agride nem desafia. Continuamos a apostar num clima de entendimento com os Estados Unidos com base no respeito mútuo, apesar das nossas diferenças, como já se demonstrou ser possível”, concluiu.

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Sara Gouveia | 23:56 – 20/05/2026

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