Vítimas da Igreja católica francesa criticam alterações no acompanhamento

Vítimas da Igreja católica francesa criticam alterações no acompanhamento

O organismo de reparação às vítimas de abuso sexual por membros da Igreja católica em França vai ser hoje substituído por uma nova instância, de carácter permanente, mas encarada com desconfiança por muitas vítimas.

© Getty


31/08/2026
por

Lusa

Esta mudança é acompanhada com especial atenção, uma vez que o Papa Leão XIV vai encontrar-se com vítimas de violência sexual, a 27 de setembro, em Lourdes (sudoeste do país), durante a deslocação a França.

 

Segundo a agência de notícias France-Presse (AFP), as vítimas dos crimes sexuais encararam esta mudança com desconfiança sendo que as críticas surgiram em grande número logo após a apresentação do novo modelo, em março.

O episcopado francês tinha criado, em 2021, a Instância Nacional Independente de Reparação (Inirr), na sequência de um relatório que estimava em 330 mil o número de vítimas de violência sexual na Igreja católica desde 1950.

“Recebemos 1.924 solicitações desde março de 2022”, disse à AFP Marie Derain de Vaucresson, presidente da Inirr, órgão criado para tratar de casos ocorridos nas dioceses.

Uma outra instância, que permanece ativa, ocupa-se dos casos envolvendo congregações religiosas.

O objetivo foi implementar um processo restaurativo de escuta e reconhecimento que conduzisse a uma reparação, fosse simbólica, como a colocação de uma placa ou um pedido de perdão, ou financeira, com as vítimas a poderem receber até 60 mil euros.

“A Inirr foi criada para oferecer uma resposta quando nenhuma outra era possível”, especialmente no âmbito judicial, disse Derain.

O organismo, inicialmente criado por três anos e posteriormente prolongado, termina hoje e não vai aceitar “novas exigências”, embora continue a acompanhar os processos em curso por um período de 18 meses.

Aqueles que procuram reparação devem recorrer, a partir de 01 de setembro (terça-feira), a uma estrutura denominada Renaître (Renascer), que a Conferência dos Bispos de França (CEF) apresenta como “uma continuidade”, e não “uma rutura”.

Nesta nova estrutura, as vítimas devem recorrer a centros de acolhimento nas dioceses que depois têm de enviar os casos destinados aos processos de justiça restaurativa para uma rede local de acompanhantes organizada como um organismo nacional independente.

A presidente do coletivo de defesa das vítimas Ampaseo Michèle Le Reun-Gaigné considerou o novo sistema “uma casca vazia”, sublinhando que o fim do Inirr “é uma catástrofe”, por ser o desaparecimento de um órgão independente e competente.

Michèle Le Reun-Gaigné manifestou preocupação, nomeadamente, com a existência de mecanismos que considerou muito desiguais entre as dioceses.

O nome escolhido (Renaître) também é encarado como pouco adequado para muitas associações de defesa das vítimas.

logo_nacloset_285_285_4k_webp2
Privacidade

Este site usa cookies para que possamos oferecer a melhor experiência de usuário possível. As informações dos cookies são armazenadas em seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis.