A Rússia acusou hoje a administração norte-americana de recusar o visto ao vice-ministro dos Negócios Estrangeiros Alexander Alimov para participar na Assembleia Geral da ONU, em Nova Iorque, medida que qualificou como hostil.
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22/09/2026
por
Lusa
“São ações que contradizem as obrigações dos Estados Unidos como Estado anfitrião da sede da ONU”, afirmou o porta-voz do Kremlin (presidência), Dmitri Peskov, citado pela agência russa TASS.
Peskov disse tratar-se de mais um exemplo de “ações hostis” contra a Rússia.
Acrescentou que a questão “será colocada na agenda durante os contactos com os norte-americanos”.
Não é a primeira vez que os Estados Unidos impedem a entrada no país de Alimov, cujo visto já foi recusado em março.
Na altura, Alimov foi impedido de assistir a um debate do Conselho de Segurança da ONU presidido pelo ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, sobre a defesa dos princípios da Carta das Nações Unidas.
A administração norte-americana, que tem vários elementos do Governo da Rússia sob sanções, não se pronunciou sobre o caso de Alimov, que tem a pasta das Nações Unidas no ministério liderado por Lavrov.
Alimov desvalorizou a decisão norte-americana em declarações à agência russa Ria Novosti, embora afirmando que não é motivo de orgulho para Washington.
“Penso que é pouco provável que este facto, que não é inspirador para mim e não é motivo de orgulho para o país anfitrião da sede da ONU, seja um acontecimento noticioso central no contexto da semana de alto nível da Assembleia Geral da ONU”, afirmou.
À luz do Acordo de Sede das Nações Unidas, os Estados Unidos têm a obrigação de emitir vistos a representantes dos Estados-membros ou de agências especializadas para lhes permitir o acesso à sede da organização sem restrições.
Washington tem alegado que pode restringir a concessão dos vistos em causa por motivos de segurança nacional.
Os trabalhos da 81.ª Assembleia Geral começam hoje na sede da ONU, em Nova Iorque, e a delegação da Rússia será presidida pelo ministro Serguei Lavrov.
A assembleia, em que vão participar cerca de 130 chefes de estado e de governo, decorre até 28 de setembro.
Trata-se da última Assembleia Geral com António Guterres como secretário-geral da ONU.

