Vítima do acidente em Espanha estava a caminho do casamento da filha

Vítima do acidente em Espanha estava a caminho do casamento da filha

Uma das vítimas da colisão de comboios em Urda viajava para o casamento da filha, marcando as histórias humanas do desastre na província de Toledo. À medida que prosseguem as buscas por vários desaparecidos, foram já confirmadas as mortes da ex-ministra Fátima Báñez e do maquinista da composição.

© Pablo Blazquez Dominguez/Getty Images

O acidente ferroviário entre dois comboios de alta velocidade em Urda, na região espanhola de Toledo, provocou pelo menos 69 mortos e dezenas de feridos, na manhã de quarta-feira. À medida que o tempo vai passando, as vítimas começam a ser identificadas pela imprensa espanhola, como é o caso de Ana Avilés, Juan José, David Reina, Sharona Freudman, Roberto Afonso, Antonio Acedo, Fátima Báñez e Julieta Gallego.

 

Ana Avilés, de 70 anos, viajava sozinha na carruagem número 7 do comboio de alta velocidade AVE, da empresa espanhola Renfe, e estava sentada no lugar 18B quando se deu a colisão com o comboio da Iryo.

A mulher, residente em Madrid, tinha começado a viagem pelas 8h00 locais (7h00 em Lisboa) em direção a Sevilha para o casamento da filha, que se iria realizar no sábado. 

Desde a colisão que os familiares de Ana não obtiveram mais notícias suas, apesar de se terem deslocado para Urda e “procurado em todos os lugares possíveis”, contou Francisco Jiménez, futuro genro de Ana, ao jornal El Español. 

Também a bordo do comboio da Renfe, no lugar 108C da carruagem 8, estava Juan José García Palacios, um militar da Guardia Civil, de 27 anos, que está também desaparecido.

“Não sabemos nada sobre ele”, explicou um primo do sevilhano ao El Español. 

José, destacado em Madrid, embarcou no Renfe AVE 2080 para regressar a casa, em Sevilha, após “ter terminado uma semana de trabalho”. 

Entre os desaparecidos está também David Reina Reguera, um jovem de 22 anos, que mora em Madrid e trabalha como mecânico de comboios para a Renfe. 

O jovem viajava sozinho na carruagem 8 do comboio que fazia o trajeto entre Madrid e Sevilha. O seu destino era Málaga, onde planeava passar alguns dias com a família. 

“Não sabemos nada sobre ele”, contou uma tia à imprensa espanhola. 

Há pelo menos uma cidadã estrangeira entre os desaparecidos. Sharona Freudman, de 69 anos, tem nacionalidade canadiana e viajava com o marido e o filho na carruagem 7 quando ocorreu o acidente. Eles foram resgatados e encontram-se hospitalizados.

“O meu tio e o meu primo estão bem porque estavam na carruagem-restaurante [na altura da colisão]”, explicou a sobrinha, Alejandra, ao Espanõl.

Na carruagem 7 estava também Roberto Alfonso Delgado Andrade, que viajava para Sevilha e está desaparecido desde então.

“Esta manhã fomos a Atocha, mas não nos ajudaram em nada. Ligamos para ele o dia todo e agora encontraram o telemóvel dele, mas não nos dizem nada”, disse a filha Constanza. 

Pelo menos três vítimas mortais identificadas

Por enquanto, há pelo menos três vítimas mortais identificadas pela imprensa espanhola. A primeira foi a ex-ministra do Trabalho de Espanha, Fátima Báñez, que viajava no comboio da Iryo, segundo indicaram fontes ao jornal DEMÓCRATA.

Já esta quinta-feira, o El Correo identificou o maquinista do comboio da Renfe como Antonio Acedo, um homem de 36 anos. 

A Izquierda Española, partido a que pertencia e que confirmou a morte, descreveu-o como um homem “excecional, bom, prudente e empenhado”.

Posteriormente, a Associação Desportiva de Sprint de Madrid confirmou, num comunicado, que uma das vítimas é a atleta Julieta Gallego, de 24 anos. A jovem morava na Alemanha e estava a passar uns dias com a família em Espanha. 

“A família do atletismo espanhol une-se no luto pela morte de Julieta Gallego, atleta da AD Sprint, no acidente ferroviário em Urda (Toledo). Manifestamos os nossos mais profundos sentimentos e total apoio à sua família, entes queridos e colegas de clube. Que descanse em paz”, lamentou também a Federação Espanhola de Atletismo. 

Relatório de 2024 alertou para falhas humanas na ferrovia espanhola

Um relatório da Comissão de Investigação de Acidentes Ferroviários (CIAF) de Espanha, realizado na sequência de um incidente em junho de 2024, alertou para a necessidade de novas medidas de segurança para reduzir o risco de falha humana.

Notícias ao Minuto | 11:39 – 29/10/2026

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