O ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, afirmou que Portugal não vai desistir de defender a liberdade de navegação, nomeadamente no estreito de Ormuz, sublinhando a importância da segurança alimentar mundial.
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29/10/2026
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Lusa
O ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, disse hoje que Portugal não vai desistir de defender a liberdade de navegação, nomeadamente no estreito de Ormuz, sublinhando que está em causa a segurança alimentar do mundo.
“Não é apenas a liberdade de navegação que está em causa, mas também a segurança alimentar de todo o mundo e, em particular, dos países africanos”, afirmou, durante o seu discurso nas Conferências do Estoril 2026, que decorre até sexta-feira em Carcavelos, Cascais.
O ministro alertou para a necessidade de “lutar pelo direito internacional e pelo direito do mar” numa altura em que os conflitos armados atuais colocam em risco o comércio marítimo internacional.
Em causa estão pontos críticos como o Mar Negro, onde a guerra na Ucrânia afeta os navios cargueiros que transportam cereais para todo o mundo, o Mar Vermelho, o Canal do Suez e o estreito de Bab-el-Mandeb, onde ataques frequentes têm bloqueado a passagem mais rápida entre a Ásia e a Europa, forçando os navios a desviar as suas rotas, bem como o estreito de Ormuz, por onde costumava passar 20% do petróleo consumido e que está fechado desde o início da guerra no Irão.
Para o ministro, a defesa do Direito internacional tem de passar pelas Nações Unidas, mas é preciso também apostar mais nas relações bilaterais.
“As nossas relações bilaterais com os diferentes países do mundo estão a tornar-se cada vez mais importantes”, adiantou, considerando que é a forma de “encarar os grandes desafios que temos de enfrentar”.
Embora Portugal mantenha a integração europeia e a relação transatlântica como os seus principais objetivos, as relações com os países do Pacífico, por exemplo, são “uma parte importante da política externa” nacional, disse Rangel.
“Temos laços históricos de longa data com a China”, lembrou o ministro dos Negócios Estrangeiros, adiantando que foi aberta este ano a primeira embaixada no Vietname, estando também prevista a abertura de uma embaixada na Malásia em 2028.
As Conferências de Estoril 2026, que assinalam este ano a sua décima edição, focam-se no tema “Reignite Democracy” (Reacender a Democracia) numa altura de conflitos globais, desinformação e crescente polarização.
Durante os dois dias em que decorre, o evento vai contar com a presença de várias figuras internacionais como a ativista política e líder da oposição russa Yulia Navalnaya, o ex-primeiro-ministro de Itália Enrico Letta, a antiga primeira-ministra da Nova Zelândia Jacinda Ardern, o vice-primeiro-ministro da Ucrânia para a Integração Europeia e Euro-Atlântica, Vsevolod Chentsov, e a Nobel da Paz (2003) Shirin Ebadi.

