Ana Clara, 5 anos, morta por agente: Bolsonaro chamado ao caso porquê?

Ana Clara, 5 anos, morta por agente: Bolsonaro chamado ao caso porquê?

O caso Ana Clara remonta a 2021, quando um polícia militar no Brasil matou uma menina de cinco anos após efetuar disparos. Flávio Bolsonaro acredita que este está inocente e fez parte da sua equipa de defesa. Na sexta-feira, no debate com Lula, enganou-se e confundiu a menina com a mãe. Perceba o que envolve este caso.

© Maria Magdalena Arrellaga/Bloomberg via Getty Images


24/10/2026
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Notícias ao Minuto

O caso que envolve Ana Clara, uma menina de cinco anos que morreu após ser atingida por disparos da polícia militar brasileira, remonta a 2021, mas, este ano, o caso ainda continua a ser tema, nomeadamente, no debate entre Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, que disputam amanhã as eleições para a presidência.

 

No último debate, que aconteceu na sexta-feira, falou-se sobre corrupção, segurança e custo de vida, com acusações mútuas e tensão crescente. Num dos momentos, que pode ver na galeria acima, o atual presidente falou sobre o caso – tendo em conta que Bolsonaro fez parte da equipa de advogados de defesa do agente, pelo menos desde 2024, quando o caso já tinha passado as primeiras instâncias. O nome do senador aparece como o primeiro entre cinco defensores relacionados em um acórdão de abril de 2024, de acordo com documentos judiciais citados pela Folha de S. Paulo.

“O Brasil inteiro gostaria de saber por que um senador da República evita que um policial assassino fosse julgado. O que leva um senador a defender um policial que deu um tiro de fuzil em uma menina de 5 anos?”, questionou Lula da Silva.

Lula disse ainda que a mãe de Ana Clara estava a assistir ao debate e, quando foi a vez de Bolsonaro falar, o candidato à presidência olhou para a câmara, e chamou a mãe da criança com o nome da filha: “Ana Clara, eu quero falar para senhora: foi uma tragédia o que aconteceu. Não consigo imaginar o que é perder uma filhinha de 5 anos […]. Eu quero ajudar a saber quem foi o autor do disparo, porque tenho a confiança de que não foi esse policial”, apontou.

Ao mesmo tempo que Flávio Bolsonaro começava a falar, trocando o nome da mãe, que se chama Cristiane Silva, a própria gritava do público: “Ela morreu”.

O agente em causa foi denunciado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro por homicídio qualificado, respondendo, no entanto, ao processo em liberdade. Segundo a acusação, o polícia militar disparou em direção a uma área residencial, assumindo o risco de atingir moradores. É ainda argumentado que não havia confronto armado no local e que os disparos continuaram mesmo depois de a polícia ser avisada pelos moradores de que havia pessoas na área, como Ana Clara, que estava a brincar perto de casa, juntamente com o irmão de dois anos.

Flávio Bolsonaro fez parte da sua equipa de advogados, que defendem que houve uma troca de tiros com traficantes numa área dominada pelo Comando Vermelho e que a criança foi apanhada no fogo cruzado. A equipa alegou ainda que tinha havido um erro na produção de prova, já que o local do crime não teria sido preservado para a análise.

O julgamento estava previsto para 21 de outubro deste ano, quarta-feira passada, mas foi remarcada para 5 de maio de 2027, mais de seis anos após a morte da criança.

Veja o momento na galeria acima.

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