Nova base aérea chinesa no Laos gera preocupações no Vietname

Nova base aérea chinesa no Laos gera preocupações no Vietname

Uma nova instalação militar chinesa no Laos, inaugurada em setembro, está a gerar preocupações no Vietname e entre analistas de defesa, devido ao potencial de expansão da infraestrutura e à crescente projeção militar de Pequim no Sudeste Asiático.

© TANG CHHIN SOTHY/AFP via Getty Images


15/10/2026
por

Lusa

Uma nova instalação militar chinesa no Laos, inaugurada em setembro, está a suscitar preocupações no Vietname e entre analistas de defesa, devido ao potencial de expansão da infraestrutura e à crescente projeção militar de Pequim no Sudeste Asiático.

 

Segundo uma análise da agência Associated Press (AP), baseada em imagens de satélite, o aeródromo de Ban Keun, situado cerca de 50 quilómetros a norte da capital do Laos, Vientiane, continua parcialmente em construção, apesar da inauguração oficial.

A instalação, gerida conjuntamente pela China e pelo Laos, é a primeira infraestrutura militar chinesa no estrangeiro centrada no poder aéreo, juntando-se à base chinesa no Djibuti e à presença naval de Pequim na base de Ream, no Camboja.

O aeródromo dispõe atualmente de uma pista de cerca de dois mil metros, suficientemente longa para receber caças, uma pista de circulação paralela e espaço de estacionamento para cerca de 24 aeronaves.

As imagens de satélite indicam que existe espaço para prolongar a pista em pelo menos mais mil metros, o que permitiria a utilização por aeronaves de maiores dimensões, incluindo bombardeiros.

Na inauguração, o ministério da Defesa chinês afirmou que o Centro Conjunto de Apoio e Treino China-Laos e a Academia de Aviação da Amizade China-Laos destinam-se a reforçar a formação dos pilotos militares laosianos e “não são dirigidos contra terceiros”.

Pequim não esclareceu, contudo, se pretende estacionar permanentemente aeronaves e militares chineses na instalação.

O diretor da Iniciativa de Transparência Marítima da Ásia, do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), Greg Poling, considerou que a infraestrutura não altera radicalmente o equilíbrio militar regional, mas poderá preocupar particularmente o Vietname, que mantém disputas territoriais com a China no mar do Sul da China.

Um responsável vietnamita, citado pela AP mas que pediu para não ser identificado, afirmou que Hanói encara oficialmente o projeto como um centro de treino e assistência humanitária, mas considera que a iniciativa visa também reforçar a influência chinesa no Laos.

“O destacamento de forças militares chinesas no Laos colocaria naturalmente uma pressão militar adicional sobre o Vietname”, afirmou.

O Instituto para o Estudo da Guerra (ISW), um ‘think tank’ norte-americano, alertou que, embora a instalação não permita ainda realizar grandes operações militares, a localização poderá oferecer às forças aéreas chinesas rotas alternativas para alcançar áreas disputadas do mar do Sul da China e contornar o espaço aéreo vietnamita.

A Tailândia, que partilha uma fronteira com o Laos, afirmou não considerar a infraestrutura uma ameaça imediata à sua segurança.

O porta-voz do ministério da Defesa tailandês, Surasant Kongsiri, sublinhou que o Laos tem o direito soberano de celebrar acordos militares com outros países, mas garantiu que Banguecoque continuará a acompanhar a evolução do projeto.

Evan Laksmana, analista do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS), considerou que a base poderá também complicar o planeamento militar norte-americano num eventual conflito em torno de Taiwan, ao oferecer uma pista alternativa para aeronaves chinesas danificadas e instalações de reparação.

A infraestrutura poderá ser abastecida através da ligação ferroviária entre a província chinesa de Yunnan e Vientiane, construída no âmbito da iniciativa chinesa Faixa e Rota.

O Laos, um dos países mais pobres do Sudeste Asiático e fortemente endividado perante a China, dispõe atualmente de apenas sete aeronaves com capacidade de combate, segundo o relatório anual Military Balance, do IISS.

Para Laksmana, o principal benefício para Pequim poderá residir menos na capacidade de combate e mais na experiência adquirida na operação de instalações militares em território estrangeiro.

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