Os partidos da oposição em Itália, de centro-esquerda, anunciaram que vão elaborar em novembro o programa para as eleições legislativas de 2027 e realizarão primárias até fevereiro para determinar quem desafiará a primeira-ministra Giorgia Meloni.
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30/10/2026
por
Lusa
Os partidos da oposição em Itália, de centro-esquerda, anunciaram hoje que vão elaborar em novembro o programa para as eleições legislativas de 2027 e realizarão primárias até fevereiro para determinar quem desafiará a primeira-ministra Giorgia Meloni.
“A partir da próxima semana terão início as discussões para definir a plataforma da coligação até final de novembro”, afirmaram numa nota conjunta a secretária do Partido Democrático (PD, socialistas), Elly Schlein, o presidente do Movimento Cinco Estrelas (M5S, populista de esquerda), Giuseppe Conte, e os líderes da Aliança Verde e de Esquerda (AVS), Angelo Bonelli e Nicola Fratoianni.
Depois de uma reunião hoje realizada por videoconferência, os líderes dos partidos do chamado “campo largo” – a coligação de esquerda que se propõe suceder à atual maioria governamental de direita e extrema-direita dirigida por Meloni – indicaram que “as forças da oposição representadas no parlamento, aquelas que partilham a necessidade urgente de construir uma alternativa de governo, participarão nestas negociações”.
“Além disso, concordámos que as primárias se realizarão até ao mês de fevereiro, com o objetivo de as tornar um exercício significativo de participação democrática, garantindo uma liderança que conte com o apoio total de todas as forças do campo progressista”, acrescentaram.
As primárias para decidir quem encabeçará a coligação de esquerda deverão resumir-se a uma disputa entre Schlein, líder do maior partido da oposição, e o antigo primeiro-ministro Conte, que dirige a segunda força política de esquerda.
As mais recentes sondagens apontam para eleições legislativas muito equilibradas no próximo ano, com a coligação de esquerda a ter reais possibilidades de bater a de direita, ainda que o partido de Meloni, os Irmãos de Itália, continue a encabeçar todas as intenções de voto.
Hoje mesmo, Meloni descartou uma aliança com a nova figura emergente na extrema-direita italiana, Roberto Vannacci, afirmando que pretende ser reeleita em 2027 para liderar um governo com os valores do atual, mas analistas antecipam muitas dificuldades para o bloco de direita conseguir ser reconduzido sem incluir o novo partido criado pelo antigo general.
“Quero pedir ao povo italiano que me deixe continuar a governar sem ser chantageada. Nunca fui suscetível à chantagem, não me deixei chantagear durante os meus anos no governo e não tenciono fazê-lo no futuro”, afirmou a líder do partido nacionalista conservador Irmãos de Itália, que lidera uma coligação governamental que integra também Força Itália (direita) e Liga (extrema-direita).
Sem aprofundar as razões para afastar uma aliança com o novo partido fundado por Vannacci, o Futuro Nacional, Meloni deu a entender que este tem uma agenda demasiado radical.
Vannacci, um antigo general das forças de paraquedistas que se orgulha de ter servido no Afeganistão e no Iraque, ganhou notoriedade graças a um best-seller “anti-woke” e tornou-se a nova figura da extrema-direita italiana, sendo o seu discurso marcado por críticas aos migrantes e à comunidade LGBTQ+.
Convidado pelo vice-primeiro-ministro Matteo Salvini para integrar a Liga depois do sucesso do seu livro, Vannacci assumiu no ano passado uma vice-presidência deste partido também de extrema-direita, mas, em fevereiro deste ano, decidiu seguir o seu próprio caminho e fundou o Futuro Nacional, que tem vindo a ganhar popularidade mês após mês.
O atual executivo de Meloni, empossado há quatro anos, tornou-se, no mês passado, o mais duradouro dos 80 anos de história da República Italiana, marcada pela instabilidade política – com constantes mudanças de executivo, nada menos que 68 –, mas a sua recondução está longe de estar assegurada, e Vannacci pode tornar-se uma figura-chave nas eleições do próximo ano.
De acordo com as mais recentes sondagens, o partido de Vannacci conta atualmente com perto de 7,5% das intenções de voto, superando quer o Força Itália, de Antonio Tajani (7%), quer a Liga, de Matteo Salvini (5%), os aliados de Meloni.
Muitos analistas antecipam que, apesar de Meloni manter a sua popularidade e os Irmãos de Itália continuarem a encabeçar as sondagens, com cerca de 27% das intenções de voto, o bloco de direita corre sérios riscos de não alcançar uma maioria sem incluir o Futuro Nacional, até porque o chamado “campo largo” de esquerda tem vindo a subir.
Recentes sondagens apontam que o PD poderá obter 21%, o M5E Estrelas 12,5% e a Aliança Verde e Esquerda 6%.
Analistas apontam que se o “campo largo” conseguir atrair o partido centrista Italia Viva, do ex-primeiro-ministro Matteo Renzi, passará para a frente nas intenções de voto.
Apesar de a atual legislatura só acabar em outubro de 2027, a generalidade dos analistas acredita que as eleições deverão ter lugar na primavera ou no início do verão do próximo ano.

