Moçambique capacita 60 médicos para rastreio do cancro nas províncias

Moçambique capacita 60 médicos para rastreio do cancro nas províncias

Pelo menos 60 médicos de clínica geral, medicina familiar e comunitária foram capacitados em nove meses para reforçar o rastreio e acompanhamento de doentes oncológicos nos hospitais provinciais moçambicanos, anunciou hoje a chefe do Programa Nacional de Cancro.

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30/10/2026
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Lusa

Pelo menos 60 médicos de clínica geral, medicina familiar e comunitária foram capacitados em nove meses para reforçar o rastreio e acompanhamento de doentes oncológicos nos hospitais provinciais moçambicanos, anunciou hoje a chefe do Programa Nacional de Cancro.

 

“O que nós estamos a fazer, estamos a dotá-los de capacidade para distinguir os sinais e os sintomas de alerta para o cancro no geral e terem a capacidade também de saber referir para os níveis de atenção superior”, afirmou Cesaltina Lorenzoni, à margem do encerramento da Oficina de Trabalho sobre Cuidados Avançados ao Doente Oncológico, em Maputo.

Segundo a responsável, a iniciativa abrangeu 60 médicos e visa reforçar a capacidade de rastreio precoce, diagnóstico e encaminhamento de casos de cancro da mama e da próstata.

“Pretendemos expandir a capacidade de atenção do doente oncológico a nível de todas as províncias, especificamente em todos os hospitais provinciais e hospitais gerais”, disse Cesaltina Lorenzoni.

A chefe do Programa Nacional de Cancro explicou que a formação surge para responder à escassez de recursos humanos especializados na área da oncologia, numa altura em que as províncias de Maputo, na região sul, Sofala, no centro, e Nampula, no norte do país, concentram os maiores números de casos de cancro da mama e da próstata.

Segundo a responsável, o cancro do fígado é mais frequente na província de Inhambane, enquanto os cancros associados ao VIH têm maior incidência em províncias com elevada prevalência do vírus, como Gaza, no sul, Sofala e Zambézia, na região centro.

O encontro serviu igualmente para apresentar o Manual de Abordagem Diagnóstica e Condutas Básicas dos Principais Tumores Malignos em Moçambique, instrumento destinado a apoiar os profissionais de saúde na assistência aos doentes oncológicos.

Em outubro do ano passado, as autoridades sanitárias avançaram que Moçambique regista anualmente cerca de 26 mil novos casos de cancro, responsáveis por mais de 17 mil mortes.

Dados recentes do Ministério da Saúde indicam ainda que o país regista cerca de dois mil casos de cancro da mama por ano, doença que provoca aproximadamente 800 mortes anuais.

Segundo as autoridades sanitárias, apenas 3% dos casos de cancro da mama têm origem genética, sendo os restantes associados a fatores externos.

O Nelson Mucopo, diretor nacional de Assistência Médica, apontou recentemente a falta de atividade física, o tabagismo, o consumo excessivo de álcool, a obesidade e uma alimentação desequilibrada entre os principais fatores de risco da doença.

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