O Vitória SC anunciou hoje o acordo de venda de 17% da SAD ao fundo V Sports, que prevê a entrada de 3,8 milhões de euros na sociedade, caso os sócios aprovem a transmissão em assembleia geral marcada para 30 de outubro.
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16/10/2026
por
Lusa
O acordo de venda de 17% da SAD do Vitória de Guimarães ao fundo V Sports contempla a entrada de 3,8 milhões de euros (ME) na sociedade, informou hoje o clube da I Liga portuguesa de futebol.
Através de uma publicação no site oficial e de uma sessão de esclarecimento realizada hoje perante sócios, a que a Lusa assistiu, a administração da SAD minhota esclareceu que esse é o valor envolvido na operação, caso os sócios do clube aprovem a transmissão das ações na Assembleia Geral (AG) extraordinária marcada para 30 de outubro.
A transmissão dessa percentagem visa o restabelecimento da participação de 46% que o fundo detentor do Aston Villa, emblema da Premier League, teve na SAD vitoriana entre 03 de março e 29 de junho de 2023, dia em que os vitorianos confirmaram a redução dessa participação para 29%, para se “cumprirem todas as determinações da UEFA”.
O acordo inicialmente estabelecido entre o clube vimaranense e o fundo então detido pelos multimilionários Nassef Sawiris e Wes Edens previa a compra de 46% das ações por 5,5 ME e um donativo de dois ME para infraestruturas, suspenso após a redução de 46% para 29%, ocorrida para não se violar a regra de multipropriedade de clubes da UEFA.
A transmissão de 17% do capital social, a ser aprovada em 30 de outubro, prevê a devolução desses dois ME ao clube, que vai converter essa verba em capital da SAD.
Para acompanhar o esforço do clube, cuja participação pode diminuir de 67,84 para 50,84%, o fundo V Sports compromete-se a aplicar 1,8 ME enquanto detentor de 46% das ações.
O Vitória de Guimarães esclarece ainda que os 3,8 ME visam a redução do endividamento existente – o passivo total superava os 85 ME e o passivo líquido ultrapassava os 57 ME no final da época 2025/26.
O acordo entre o clube minhoto e o fundo V Sports prevê ainda o compromisso de se desenvolver, em 60 dias úteis, “um plano de reestruturação de parte da dívida”, entre 20 ME e 30 ME.
A porção de 17% do capital social cuja transmissão vai ser votada em 30 de outubro vai estar sujeita à criação de um ‘blind trust’, figura jurídica para gerir esse capital por uma entidade independente, que exerce o direito de voto sem receber instruções do proprietário, para evitar possíveis conflitos de interesse entre o Vitória e a V Sports e garantir o cumprimento da regra de multipropriedade de clubes da UEFA.
Se a transmissão de 17% das ações à V Sports for chumbada em 30 de outubro, o presidente vitoriano, Rui Rodrigues, admitiu que o clube vai ter de procurar “outro parceiro” para a SAD.
A SAD do Vitória de Guimarães foi constituída em 10 de abril de 2013, com Mário Ferreira, empresário português radicado na África do Sul, como acionista maioritário, e o clube com 40% do capital, embora com alguns direitos especiais, como o de veto a alterações aos estatutos da SAD.
Em 01 de outubro de 2021, o emblema vimaranense anunciou a compra das ações detidas pela empresa MAF, de Mário Ferreira, correspondentes a 56,4% do capital social, por 6,5 ME, o que permitir-lhe-ia ficar na posse de 96,4% do capital.

