O homem que atropelou, pelo menos, 16 pessoas, na madrugada de terça-feira, na rua da Oura, em Albufeira, será hoje presente a primeiro interrogatório judicial, onde conhecerá as medidas de coação tidas como adequadas. Os testemunhos do acidente são chocantes.
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26/08/2026
por
Natacha Nunes Costa, Lusa
O condutor que atropelou pelo menos 16 pessoas na madrugada de terça-feira, 25 de agosto, na rua da Oura, em Albufeira, é ouvido hoje em tribunal, onde ficará a conhecer as medidas de coação com que ficará a aguardar julgamento.
O homem, de 35 anos, que apresentava uma taxa crime de álcool no sangue no momento em que foi detido, avançou com o carro contra uma multidão, apesar das advertências da Guarda Nacional Republicana (GNR) e das baias que protegiam a zona de bares mais conhecida (e agitada) da cidade algarvia.
Para já, as motivações do português, natural de Angola, são desconhecidas. O que se sabe é que provocou verdadeiros momentos de pânico na Oura e deixou duas pessoas feridas com gravidade, entre as quais uma jovem portuguesa de 21 anos.
“Foi assustador”, “nada agradável de se ver”
À SIC Notícias, Sven, um jovem de nacionalidade estrangeira que se encontrava no local contou que viu “o carro a descer a rua, com algumas pessoas em cima”. Sabe-se agora que são duas das vítimas do atropelamento e estavam agarradas ao capô do veículo.
Segundo Sven, o suspeito “ia a conduzir a 30/40 quilómetros/hora” e atropelava um a um, quem estivesse no caminho.
Tal como é possível ver nas imagens, entretanto divulgadas nas redes sociais mas que o Notícias ao Minuto optou por não reproduzir por poderem ferir as suscetibilidades das pessoas mais sensíveis, depois de o carro passar, vários militares da GNR, que o perseguiam, dispararam tiros para o ar para alertar as pessoas e tentar parar o condutor.
“Começámos a fugir dos tiros. Percebemos o que se estava a passar porque começámos a ver os polícias a correrem atrás do carro e pensámos: ok, tudo bem, é a polícia. Mas começámos a correr quando ouvimos os tiros na rua”, admitiu o jovem.
Nem Sven, nem os amigos ficaram feridos. Mas dificilmente esquecerão o que aconteceu na madrugada de terça-feira em Albufeira. “Um homem que estava em cima do carro tinha perdido o sapato, vimos-lhe o tornozelo e não foi nada agradável de se ver”, revelou.
Já Maja Lewecka, de 18 anos, é uma das vítimas atropeladas que ficou em cima do capô do carro. Aos jornalistas, a turista irlandesa disse que foi apanhada de surpresa na estrada e não se apercebeu da aproximação do carro, tendo sido colhida e arrastada durante vários metros em cima da viatura.
“Nem me apercebi de que o carro se aproximava, quando o vi já estava em cima de nós. Foi tudo muito rápido”, afirmou, classificando o incidente como “assustador” e assegurando que foi depois “bem assistida” no hospital de Portimão. Ficou com múltiplas escoriações e ferimentos visíveis nos membros inferiores.
Maya, que está pela primeira vez em Portugal, confessou ainda que quando deixar o país, já hoje, irá levar consigo uma “má memória”, mas com a consciência de que “poderia ter sido pior”.
Dois feridos continuam internados em estado grave
E poderia mesmo. Duas das quase duas dezenas de pessoas que foram atropeladas ficaram em estado grave. Entre elas uma jovem portuguesa de 21 anos.
A nacionalidade e idade do outro ferido grave não é, pelo menos para já, conhecida. Sabe-se apenas que os feridos civis – dois militares da GNR também foram atropelados – têm entre 18 e 22 anos e que a maioria são portugueses, apesar de também haver cidadãos espanhóis e, pelo menos, um polaco entre as vítimas.
A maioria já teve alta do hospital. Apenas os dois feridos graves continuam internados no Hospital de Portimão.
Ministério Público instaura inquérito
Entretanto, ainda no decorrer do dia de ontem, o Ministério Público (MP) decidiu instaurar um inquérito ao atropelamento.
“O MP decidiu instaurar inquérito para averiguação das circunstâncias do ocorrido e eventual apuramento de responsabilidades”, confirmou fonte da Procuradoria Geral da República (PGR) ao Notícias ao Minuto.
O caso, que começou por ser investigado pela GNR, acabou por passar para a alçada da Polícia Judiciária (PJ) que se encontra agora a tentar apurar as motivações do suspeito, detido pelos crimes de ofensa à integridade física qualificada, condução sob efeito de álcool e condução perigosa. Em cima da mesa da acusação, segundo alguns especialistas, poderá vir a estar também o crime de tentativa de homicídio.
O que se sabe do condutor?
Para já, o nome do autor do atropelamento não foi revelado. Sabe-se que é português, mas natural de Angola. Vivia em Portugal há algum tempo, mais precisamente em Agualva-Cacém. No entanto, estaria emigrado no Reino Unido.
O suspeito, que estava em Albufeira de férias, tinha na sua posse duas cartas de condução: uma angolana, que é legal em Portugal, e outra emitida em Birmingham, Inglaterra, em 2022, com a qual não poderia conduzir por cá.
O homem, que estaria ao volante de um carro alugado, conduzia com uma taxa de álcool no sangue de 1,29 g/l, o que é considerado crime.
Cronologia dos acontecimentos
Tudo aconteceu por volta das 3h00 da madrugada. Depois de ter ingerido bebidas alcóolicas em excesso, o suspeito arrancou, na viatura que tinha estacionado, anteriormente, na via pública.
Os elementos da GNR que se encontravam no local deram ordem de paragem, mas o homem desobedeceu e inverteu a marcha.
Momentos depois, ao ser novamente intimado a parar pelos militares, o condutor voltou a ignorar a ordem e avançou na direção dos peões e do dispositivo policial, atropelando várias pessoas.
“Nesta altura, os militares da Guarda dispararam alguns tiros para o ar com o objetivo de tentar parar o condutor”, adiantou, por sua vez, o porta-voz da GNR, Carlos Canatário, à agência Lusa.
Na sequência da manobra de fuga, a viatura embateu noutro veículo, tendo o suspeito tentado colocar-se em fuga apeada, momento em que foi intercetado e detido pelos militares do Grupo de Intervenção de Ordem Pública. Nesse momento pediu “desculpa”, mas não justificou o que fez.

