António Costa defende aposta da UE em “verdadeira rede multipolar”

António Costa defende aposta da UE em

O presidente do Conselho Europeu, António Costa, defendeu hoje a aposta da União Europeia (UE) numa “verdadeira rede multipolar” de cooperação económica e política, e apontou Portugal como exemplo de consolidação democrática e prosperidade através da integração europeia.

© Malin Wunderlich/picture alliance via Getty Images


05/10/2026
por

Lusa

“Estamos a construir uma verdadeira rede multipolar. Esta projeção global demonstra que o norte e o sul são plurais e estão a trabalhar em conjunto para construir compromissos de longo prazo, assentes em interesses mútuos, e, em vez de esferas de influência, estamos a tecer redes de cooperação económica e política”, disse António Costa.

 

O presidente do Conselho Europeu aludia ao reforço das relações da UE com parceiros de diferentes regiões, como Austrália, Brasil, Canadá, Índia, Japão, Coreia do Sul, países africanos, América Latina e Ásia Central.

Discursando na cerimónia de abertura do ano académico do Colégio da Europa no campus de Natolin, em Varsóvia, o antigo primeiro-ministro português considerou que “esta é a melhor forma de a UE defender o multilateralismo e o direito internacional e promover a paz e a prosperidade”.

“É também a melhor forma de a UE promover os seus interesses e valores partilhados e demonstra que não estamos sozinhos no mundo, não estamos isolados – temos muitos amigos em todo o mundo”, acrescentou.

Falando sobre o processo de alargamento da UE, António Costa recordou: “Olhamos novamente para a década de 1980, quando a Grécia, Portugal e Espanha, emergindo de décadas sob ditadura, consolidaram as suas democracias e aumentaram a sua prosperidade através da sua integração naquilo que eram então as Comunidades Europeias”.

A posição surge um dia antes de a Comissão Europeia divulgar a revisão da política de pré-alargamento, avaliando o impacto de uma futura vaga de alargamento nas próprias políticas da UE e o que a União terá de alterar para conseguir receber novos membros.

Para o presidente do Conselho Europeu, o alargamento é “o melhor investimento geoestratégico” no futuro da UE.

Costa destacou os resultados dos anteriores alargamentos, referindo que, nos últimos 22 anos, estes acrescentaram mais de 100 milhões de pessoas à União e aumentaram a economia comum em mais de dois biliões de euros.

Os países que aderiram desde 2004, mais do que duplicaram as suas economias, enquanto os novos Estados-membros criaram 26 milhões de empregos, mais de seis milhões dos quais nos próprios países que aderiram à UE.

“Cada alargamento fortaleceu a Europa e estendeu a área de paz, estabilidade e prosperidade”, salientou.

O presidente do Conselho Europeu destacou o novo dinamismo criado pelo pedido de adesão da Ucrânia, que, segundo afirmou, se estende também à Moldova e aos seis parceiros dos Balcãs Ocidentais.

“O futuro destes países está dentro da UE, com uma abordagem à adesão baseada no mérito que assegure os mais elevados padrões para todos”, apontou.

António Costa sublinhou, ainda, que cada candidato deve ser avaliado individualmente, de acordo com os seus progressos e realizações, e que todos devem partilhar os valores e objetivos da UE.

Quanto à Ucrânia e Moldova, pediu a abertura de todos os grupos de negociação de adesão para os dois países até ao final do ano, desde que estejam reunidas as condições necessárias.

“Temos de ultrapassar uma história de divisão e fragmentação e abraçar, de uma vez por todas, um futuro europeu partilhado”, adiantou.

O processo de alargamento é o mecanismo através do qual países europeus que pretendem aderir à União Europeia são avaliados e apoiados na adoção das regras, normas e valores da UE.

Existem, atualmente, 10 países candidatos à UE, em diferentes fases do processo de adesão.

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