Ataques no Sudão do Sul: 23 mortos atribuídos a milícias da oposição

Ataques no Sudão do Sul: 23 mortos atribuídos a milícias da oposição

Pelo menos 23 pessoas morreram em ataques no Sudão do Sul, atribuídos a milícias da oposição, segundo um responsável do Governo local. Os ataques ocorreram na madrugada de hoje em Ruweng, uma região produtora de petróleo, e envolveram a milícia Exército Branco.

© GUY PETERSON/AFP via Getty Images


19/10/2026
por

Lusa

Pelo menos 23 pessoas morreram na madrugada de hoje quando jovens armados, ligados à oposição armada do Sudão do Sul, atacaram várias aldeias em Ruweng, uma zona produtora de petróleo, segundo um responsável do Governo local.

 

O ministro da Informação do Governo local de Ruweng, James Monyluak Mijok Thon, declarou à agência EFE que os ataques começaram por volta das 05:00 (04:00 em Lisboa) e acusou jovens armados do estado vizinho de Unity de realizarem as investidas letais.

“Pelo menos 23 pessoas perderam a vida nos ataques lançados por jovens armados logo ao início desta manhã. Os atacantes são membros da milícia Exército Branco”, afirmou Thon.

O Exército Branco, uma milícia juvenil composta predominantemente por membros da etnia Nuer, tem estado historicamente associado ao Movimento Popular de Libertação do Sudão na Oposição (SPLM-IO), liderado pelo vice-presidente Riek Machar, embora a sua relação com o comando militar da oposição continue a ser alvo de controvérsia.

“Os grupos armados atacaram várias aldeias, incluindo Nyokrial e Nyoklith, no condado de Tuoch; Bal Mialou, no condado de Lake No; e Manajonga, no condado de Aliiny”, detalhou o ministro.

Thon acrescentou que os agressores também incendiaram residências e levaram o gado pertencente às comunidades locais.

“Várias casas foram incendiadas e o gado foi saqueado durante os ataques. A situação continua tensa”, acrescentou.

Os ataques representam um novo episódio de violência em Ruweng, onde as tensões entre grupos armados e comunidades do estado vizinho de Unity têm provocado, por diversas vezes, confrontos fatais.

Os últimos atos de violência ocorrem num contexto de crescentes tensões políticas e de segurança no Sudão do Sul, após o incumprimento de disposições fundamentais do acordo de paz de 2018 entre o Governo do Presidente Salva Kiir e o movimento de oposição de Machar.

Machar está a ser julgado em Juba de acusações relacionadas com os confrontos mortais ocorridos na região de Nasir em março de 2025, que envolveram também membros do Exército Branco.

O retomar da violência armada acontece a menos de dois meses das eleições gerais no Sudão do Sul, previstas para dezembro de 2026, num cenário de insegurança generalizada, divisões políticas e preocupação com a frágil transição do país.

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