STT pode encerrar, levantando preocupações sobre pluralismo mediático

STT pode encerrar, levantando preocupações sobre pluralismo mediático

O possível encerramento da agência de notícias finlandesa STT levanta preocupações sobre o pluralismo mediático e o acesso a informações confiáveis, segundo o Ministério dos Transportes e Comunicações da Finlândia.

© ShutterStock


16/10/2026
por

Lusa

Questionado pela Lusa, a mesma fonte refere que “o possível encerramento da STT levanta preocupações legítimas no que diz respeito ao pluralismo dos media e o acesso a informações confiáveis”.

 

Contudo, a procura “pelos serviços da STT diminuiu significativamente nos últimos anos, à medida que empresas de media finlandesas desenvolveram as suas próprias operações de notícias digitais e passaram a suprir suas necessidades por outros meios”, explica.

Muitos dos clientes da STT “já reduziram sua dependência da agência [de notícias] e estão cada vez mais aptos a obter conteúdo por meio de outros canais”, prossegue.

Contudo, “algumas organizações jornalísticas mais pequenas dependem mais da cobertura noticiosa nacional e internacional, reconhecidamente confiável, oferecida pela STT”.

Portanto, “o fecho da STT representaria um retrocesso para o cenário de media finlandês e para a disponibilidade de informações fidedignas”, salienta o porta-voz.

Segundo o ministério, os mecanismos de apoio ou auxílio público não podem substituir a necessidade de um modelo de negócios viável.

“A STT precisaria adaptar-se às mudanças” daquilo que os clientes querem e, isso, “por sua vez, exigiria proprietários comprometidos, dispostos a apoiar a transformação necessária a longo prazo”.

Nos últimos anos, “a STT recebeu auxílios estatais pontuais”, mas continuou a enfrentar desafios estruturais significativos, uma vez que a procura por seus serviços tradicionais de agência de notícias permaneceu em declínio, refere a mesma fonte.

Em última análise, “cabe aos acionistas da STT decidir se estão dispostos a investir na empresa, apoiar sua transformação e comprometer-se com seu desenvolvimento a longo prazo”.

Sobre a possibilidade da STT passar para a alçada estatal, apesar de ser algo discutido, não parece viável.

“No entanto, por si só, ela não resolveria os desafios subjacentes relacionados ao declínio, a longo prazo”, da procura dos serviços tradicionais de agências de notícias na Finlândia.

Além disso, “o Estado não é o acionista mais adequado para desenvolver e gerir um negócio de media comercial”, considera.

A questão central é que, caso a STT continuasse deficitária, o Estado poderia acabar por ter de “cobrir prejuízos repetidamente”, em vez de criar condições necessárias para a sustentabilidade a longo prazo, aponta o porta-voz.

Aliás, o Estado finlandês “já desempenha um papel relevante no mercado de media através da emissora pública (Yleisradio)”.

Além disso, a Finlândia “enfrenta uma pressão fiscal considerável e o Governo tem de fazer escolhas difíceis quanto aos gastos numa ampla gama de serviços públicos e prioridades políticas. Nesse contexto, o patamar de exigência para a implementação de novos mecanismos de apoio é elevado”, pelo que por estas razões, “a propriedade estatal não é considerada uma solução viável”, remata.

Questionado sobre se falaram com Bruxelas sobre o assunto, o porta-voz diz que a “prioridade tem sido compreender a situação da STT, avaliar diferentes opções e acompanhar o desfecho do processo de reestruturação em curso”.

Perante a incerteza do seu futuro, “não existe, no momento, nenhuma proposta concreta que exija discussões com Bruxelas”.

A situação da STT “é difícil e lamentável” e, “ao mesmo tempo, ilustra um desafio mais amplo que o jornalismo e os meios de comunicação enfrentam”.

Nesse sentido, “questão mais abrangente é como podemos garantir que o jornalismo profissional permaneça viável no futuro”, conclui.

Em 30 de setembro, a agência de notícias finlandesa STT anunciou que iria avançar com uma reestruturação significativa das suas operações, decorrente da sua persistente falta de lucro, o que pode levar ao encerramento das operações de notícias e de fotografia.

A STT foi fundada em 1887, o que a torna uma das agências de notícias mais antigas do mundo. A divisão de Serviços de Comunicação da STT foi criada em 2004 e, em 2010, a agência de notícias finlandesa adquiriu a Lehtikuva, a agência de fotografia mais antiga da Finlândia, fundada em 1951.

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O auxílio estatal à agência noticiosa finlandesa STT pode proporcionar estabilidade temporária e tempo para reestruturação, mas não resolve os desafios, disse o Ministério dos Transportes e Comunicações.

Lusa | 11:21 – 16/10/2026

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