A presidente fundadora do Círculo de Negócios em Língua Portuguesa (CNLP), Olga Amorim, defendeu que a principal dificuldade enfrentada pelas empresas lusófonas que procuram expandir-se para a China continua a ser a barreira linguística.
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23/10/2026
por
Lusa
CNLP
A presidente fundadora do Círculo de Negócios em Língua Portuguesa (CNLP), Olga Amorim, defendeu que a principal dificuldade enfrentada pelas empresas lusófonas que procuram expandir-se para a China continua a ser a barreira linguística.
Presente na 31.ª edição da Feira Internacional de Macau (MIF), Olga Amorim indicou que a formalização da filial do CNLP em Macau já foi realizada, no que pretende ser uma “plataforma empresarial para reforçar as ligações comerciais entre empresas dos países lusófonos, da China e de outros mercados internacionais”.
“A nossa grande dificuldade está a ser mesmo a língua”, afirmou a responsável, sublinhando que muitas empresas enfrentam obstáculos na comunicação devido ao uso do cantonês e do mandarim e, em alguns casos, à limitada utilização do inglês por parceiros locais.
Segundo a dirigente, o objetivo da organização não passa apenas por facilitar a entrada de produtos e serviços estrangeiros na Ásia, mas também por criar condições para que empresas chinesas e asiáticas expandam a sua presença noutros continentes.
“Não estamos aqui só para trazer produtos e serviços para Macau ou para a China. Queremos também levar produtos e serviços da Ásia para a Europa, para África e para os Estados Unidos”, afirmou.
“Temos de trabalhar a confiança e a credibilidade no mercado. É um processo que leva tempo e que se vai construindo”, disse.
As exportações lusófonas para a China registaram o melhor arranque de ano de sempre, ao subirem 22,1% para 105,8 mil milhões de dólares (94,3 mil milhões de euros) entre janeiro e agosto deste ano.
A presidente fundadora do CNLP reconheceu também que as exigências regulamentares continuam a representar um desafio para as empresas interessadas em entrar no mercado chinês, sobretudo ao nível das certificações e do cumprimento dos requisitos legais aplicáveis a cada setor.
“Os regulamentos para importar produtos para a China também têm sido difíceis, mas isso é ultrapassável quando realmente as pessoas querem”, afirmou.
Olga Amorim defendeu que muitas empresas abordam a internacionalização sem uma estratégia suficientemente definida, procurando entrar em vários mercados ao mesmo tempo.
“Temos primeiro de perceber quais são os mercados em que queremos entrar. Não podemos dizer simplesmente que queremos vender internacionalmente. Temos de nos focar num ou dois mercados e trabalhar as certificações e a legislação desses países”, sustentou.
Segundo a responsável, a adaptação às regras de cada jurisdição deve ser encarada como parte integrante do processo de expansão internacional, exigindo preparação e acompanhamento especializado. “Ao nível da legislação, temos de trabalhar, temos de apoiar e temos de nos organizar”, disse.
A dirigente sublinhou ainda a importância do apoio institucional para ultrapassar alguns dos entraves regulatórios, defendendo uma cooperação estreita entre empresas e entidades públicas.
“Contamos com todo o apoio governamental, aqui na China e em Macau, mas também noutros países e continentes, para ajudar a criar estas ligações estratégicas”, afirmou.
Embora admita que alterações regulamentares possam ser difíceis de concretizar, Olga Amorim considerou que a evolução do enquadramento legal e administrativo depende igualmente da capacidade de diálogo entre os diferentes intervenientes económicos.
“Enquanto não mudarmos mentalidades, não crescemos. Temos de criar estas parcerias. Não é fácil e temos consciência absoluta disso, mas acreditamos na mudança”, declarou.
Olga Amorim revelou ainda que as empresas ligadas à rede internacional do CNLP geraram, em conjunto, cerca de sete milhões de euros de volume de negócios durante o primeiro ano e meio de atividade da organização.
A responsável disse esperar que, até março de 2027, o CNLP consiga atrair empresas chinesas e de Macau interessadas em expandir-se para mercados europeus, africanos e norte-americanos.

