O diretor executivo da Casa da Arquitetura disse à Lusa que o aumento da atividade e da responsabilidade na manutenção dos acervos obriga a procurar mais financiamento.
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17/10/2026
por
Lusa
Casa da Arquitetura
O diretor executivo da Casa da Arquitetura disse à Lusa que o aumento da atividade na instituição e a maior responsabilidade na manutenção do número crescente de acervos obrigam a instituição a ter de procurar mais fontes de financiamento.
Numa conversa dias depois da cerimónia de formalização da doação do acervo de Eduardo Souto de Moura à Casa da Arquitetura, em que os discursos feitos tiveram como denominador comum o apelo para que houvesse mais investimento na instituição, o diretor executivo daquela entidade, Nuno Sampaio, explicou o quotidiano e o seu peso, numa altura em que chegam convites da China e do Japão para depositar mais arquivos.
“O espetro da atividade da Casa alargou-se. Já não é só um arquivo, um museu que tem serviço educativo, é agora uma editora, um centro de estudos, um motor de transformação social quer em Matosinhos, no Porto, ou em Portugal”, afirmou Nuno Sampaio.
De acordo com informações da Casa da Arquitetura, aquele centro contabiliza 22 acervos e coleções, 150 doadores, 162.500 documentos analógicos, 180 mil documentos digitais, 1.000 maquetas e protótipos, 4.400 projetos custodiados, 38 exposições realizadas e mais de 200 mil visitantes de exposições entre 2018 e 2026.
Nuno Sampaio explicou que pretendem também divulgar na Ásia a arquitetura portuguesa e brasileira, ressalvando que esse projeto não está dependente de financiamento adicional.
Acresce a isto a dimensão da preservação de um acervo que, “muitas vezes, demora a ser trabalhado, tratado, limpo, digitalizado, cerca de três a quatro anos. […] É um trabalho lento, moroso, custoso. Que é preciso, porque muitas vezes planifica-se o desenho e ele tem que ficar seis meses nesse plano, porque os desenhos antigos estão em rolos durante 40 anos”, assinalou o diretor executivo da Casa da Arquitetura.
A instituição encontra-se atualmente em processo de renovação do contrato de apoio com o Estado português, que é trianual, e de onde Nuno Sampaio espera que possa vir “um bocadinho mais de apoio”.
De acordo com o documento de prestação de contas mais recente publicado no ‘site’ da Casa, de 2024, a instituição recebeu nesse ano perto de 750 mil euros da Câmara Municipal de Matosinhos, 400 mil do Fundo de Fomento Cultural e 250 mil euros do Turismo de Portugal.
Fora das entidades públicas, a maior fonte de receita em 2024 adveio da Fundação ‘La Caixa’, com 150 mil euros, seguindo-se a Secil e a Amorim, com 25 mil euros cada. No total, a Casa da Arquitetura recebeu 1,8 milhões de euros entre públicos e privados.
Aliar a arquitetura ao segmento da construção civil, tornando-a “parceira das empresas portuguesas” no estrangeiro é uma ideia lançada pelo diretor executivo que, dessa forma, vê Portugal a ser “ajudado” pelo setor em áreas como a ambiental, economia e a cultura.
Sobre o facto de, desde 2019, a Câmara Municipal de Matosinhos já ter investido cerca de 7,17 milhões de euros na Casa e sobre a importância que esse apoio teve, Nuno Sampaio considerou-o “excelente”, referindo que o “mecenato já não é como há 20 anos”, mas defendeu que o concelho “ganha também com a presença da Casa da Arquitetura”, sendo “talvez o único local que atrai pessoas de Lisboa a Nova Iorque”.
De acordo com o diretor executivo da Casa, o futuro passa igualmente pelo eventual aumento das instalações no quarteirão onde se situa em Matosinhos, referindo que, quando se “perdem acervos para o estrangeiro, há uma comoção nacional”, sentimento que, enfatizou, “também tem de existir quando um acervo fica em Portugal”.
“Este quarteirão tem condições para que no futuro tenha melhores condições para receber atividades cá, seja da sociedade civil, congressos, mantendo o interesse turístico que já possui”, continuou, sublinhando que “não estão preocupados com a despesa de hoje, mas com uma perspetiva de futuro, porque os compromissos são os mesmos de há dez anos, mas as responsabilidades de hoje são muitíssimo maiores”.
A Casa da Arquitetura anunciou na quarta-feira que vai receber o acervo do arquiteto brasileiro Assis Reis (1926-2011), um dos maiores nomes da arquitetura na Bahia.
O arquivo de Assis Reis junta-se assim ao de conterrâneos como Paulo Mendes da Rocha e Lúcio Costa, além dos portugueses Souto de Moura, João Luís Carrilho da Graça, Gonçalo Byrne, Tomás Taveira, Jorge Gigante, Manuel Correia Fernandes, entre muitos outros.
Criada em 2007, a Casa da Arquitetura inaugurou dez anos depois as suas atuais instalações, no antigo edifício da Real Vinícola, em Matosinhos, que foi reabilitado num investimento total de dez milhões de euros.
Além da Casa da Arquitetura, o espaço acolhe a Orquestra Jazz de Matosinhos.

