Cazaquistão: Partido no poder Adilet parte como favorito nas legislativas

Cazaquistão: Partido no poder Adilet parte como favorito nas legislativas

O partido no poder Adilet (Justiça) parte como o favorito para as eleições legislativas no Cazaquistão que se realizam no domingo, segundo especialistas locais.

© Getty Imagens


21/08/2026
por

Lusa

Fundado em maio deste ano, o Adilet consolidou a sua posição após a fusão com o partido Amanat (antigo Nur Otan) há dois meses, explicou o politólogo cazaque Andréi Chebotariov.

 

Os políticos no poder avançaram com a criação do Adilet numa tentativa clara de cortar definitivamente laços com a era de Nursultan Nazarbayev, o anterior Presidente cazaque e líder do Nur Otan.

Segundo Chebotariov, na segunda posição ficará o partido Aúl, enquanto o principal desafio que se coloca às outras formações será ultrapassar o limiar eleitoral para obter representação parlamentar no Kurultai, o novo parlamento unicameral.

Os analistas políticos concordam que a principal incógnita destas legislativas não é tanto quem ganhará, mas sim o apoio que o partido no poder conquistará e o papel que os restantes partidos desempenharão no novo parlamento.

Ao mesmo tempo, afirmam que a renovação dos lugares parlamentares não desencadeará mudanças radicais na política interna e externa do país: acreditam que o Adilet prosseguirá a política equilibrada do Governo e não haverá viragens radicais nem em direção à Rússia, nem ao Ocidente.

Cerca de 12,6 milhões de habitantes da maior república da Ásia Central vão no domingo às urnas para eleger o novo parlamento unicameral do país.

Após a reforma constitucional promovida em março pelo Presidente, Kassym-Jomart Tokayev, – e a entrada em vigor a 01 de julho da Constituição revista – o Cazaquistão terá, a partir de 23 de agosto, uma única câmara parlamentar de 145 membros, eleitos proporcionalmente através de listas partidárias.

A campanha eleitoral decorreu sem incidentes, tendo sido marcada por uma passividade e apatia generalizadas dos eleitores, especialmente dos mais jovens, o que os especialistas atribuem à falta de uma cultura eleitoral, pelo facto de um único partido, o Nur Otan, ter dominado o panorama eleitoral durante mais de duas décadas.

Cerca de 80 deputados e funcionários de cerca de 30 países da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE) estão em trânsito para o Cazaquistão para observar as eleições parlamentares antecipadas de 23 de agosto.

Será a 13.ª vez que a Assembleia Parlamentar da OSCE observa eleições no país desde 1994, indicou a organização em comunicado.

Gábor Hajdu, da Roménia, desempenha as funções de Coordenador Especial da OSCE e líder dos observadores de curto prazo para as eleições, e Lucija Tacer Perlin, da Eslovénia, desempenha as funções de chefe da delegação da Assembleia Parlamentar da OSCE.

Segundo a organização, as alterações constitucionais não só introduziram “um único círculo eleitoral nacional, utilizando o sistema de representação proporcional por lista fechada”, como “fazem parte de uma reformulação mais ampla da arquitetura institucional do Cazaquistão, incluindo a substituição do parlamento bicamaral pelo Kurultai, a reintrodução da vice-presidência e a criação do Conselho Popular”.

Para a OSCE, “a importância destas eleições vai muito para além da composição do próximo parlamento”: elas “proporcionarão a primeira oportunidade de observar como funcionarão na prática os novos arranjos constitucionais e eleitorais” no Cazaquistão.

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