Um artigo de opinião sobre a polémica que envolve Cristiano Ronaldo e a seleção nacional, relacionando a situação do atleta com o mercado empresarial, assinado por Jorge Becho, Head of People Experience da portuguesa KWAN.
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07/10/2026
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Notícias ao Minuto
“As grandes carreiras deixam-nos mais do que resultados. Deixam-nos exemplos, aprendizagens e, por vezes, também avisos.
Cristiano Ronaldo é um desses exemplos. Pelo que alcançou, mas sobretudo pela forma como lá chegou. A dedicação, a resiliência, a obsessão pela melhoria e a exigência consigo próprio são lições que qualquer profissional pode, e deve, aproveitar.
Num contexto empresarial, seria aquilo a que facilmente chamamos um A-Player. Alguém que eleva a fasquia, entrega resultados, deixa uma marca difícil de apagar e que, naturalmente, queremos atrair, desenvolver e reter.
Mas os grandes exemplos também nos ensinam o que não devemos repetir.
© Jorge Becho
A recente tensão em torno do Cristiano Ronaldo na Seleção Nacional recorda-nos uma realidade que as empresas também enfrentam: nenhum indivíduo pode tornar-se maior do que a equipa. O estatuto conquistado não pode transformar-se numa imunidade à mudança. E aqui o papel de capitão importa! Liderar não é apenas inspirar quando somos a referência ou quando as decisões nos favorecem. A liderança revela-se também quando perdemos protagonismo, quando discordamos ou quando o coletivo decide seguir um caminho diferente daquele que gostaríamos.
Nas empresas acontece o mesmo. Um A-Player pode ser decisivo e esperar que a empresa continue a adaptar-se às suas necessidades. Mas quando a equipa passa a existir para acomodar a estrela, em vez de a estrela continuar a servir aquilo de que a equipa precisa, algo se perdeu.
Aquilo que foi decisivo no passado pode já não ser aquilo de que a empresa precisa no presente. O mercado muda, as equipas evoluem, as funções transformam-se e aquilo que hoje é um fit pode deixar de o ser amanhã. Reconhecer isso não apaga a história, não diminui o mérito e muito menos é sinal de ingratidão. Pelo contrário! Uma empresa madura deve saber reconhecer quem a ajudou a crescer, mas também preparar sucessores, abrir espaço a novas referências e evitar que a dependência de uma pessoa se torne maior do que a própria organização.
Falta normalizar a finitude nas organizações. Aceitar que alguém pode ter sido fundamental durante anos e, ainda assim, deixar de ser a pessoa certa para o que vem a seguir. Nem todas as saídas representam uma perda. Nem todos os ciclos devem ser prolongados apenas porque foram extraordinários. Talvez devêssemos deixar ciclos terminar com a mesma naturalidade com que celebramos quando começam.
Porque respeitar uma história não significa prolongá-la para sempre. Significa saber reconhecer tudo o que ela foi, mesmo quando já não precisa de continuar.”

