A morte na Rússia de uma trabalhadora de um laboratório, num possível caso de peste pneumónica, deixou algum alerta. A Organização Mundial da Saúde tranquiliza e considera “muito baixo” o risco de um surto. Saiba o que é a peste pneumónica, conheça os riscos e como se transmite.
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07/10/2026
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Piero Olliaro é professor de doenças infecciosas e explicou à BBC em que consiste esta condição. Revela que se trata de uma infeção pulmonar muito grave e que pode levar a sintomas como falta de ar, dor no peito e tosse com sangue.
O que é a peste pneumónica
“A peste em si não desapareceu: a bactéria que a causa, Yersinia pestis, persiste em reservatórios animais em muitas partes do mundo. Cerca de 200 espécies de roedores podem abrigar a bactéria, com reservatórios encontrados nas Américas, Eurásia e África”, continua o especialista.
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O professor acredita que o risco pode ser baixo, mas que é importante a vigilância. “Casos humanos são esporádicos e continuam a existir, mas a vigilância estabelecida, as medidas de controlo de infeção e o tratamento antibiótico eficaz são ferramentas importantes para limitar o seu impacto”, explicou.
A peste em si é uma doença infeciosa causada por bactérias encontradas em pequenos mamíferos. Pode contrair a doença ao ser picada por uma pulga infetada ou por estar perto de um animal infetado.
O especialista revela ainda que no caso da peste pneumónica existe também a possibilidade de uma transmissão de humano para humano. É através da tosse e das gotículas infectadas transmitidas pelo ar que tal pode acontecer. Contudo, é sempre preciso um contacto próximo com quem esteja infetado.
O tratamento e os riscos
Aponta também que algumas teorias sugerem que uma peste pneumónica possa ter estado na origem da conhecida como Peste Negra e que matou milhões de pessoas no século XIV.
À BBC a professora de imunologia Zania Stamataki explica que é importante que se façam estudos sobre a peste. “Entendo por que as pessoas acham alarmante a ideia da peste num laboratório, então vale a pena explicar por que esse trabalho existe.”
“A peste não é uma doença histórica. Permanece endémica em populações de roedores na África, Ásia e Américas, e casos em humanos ocorrem todos os anos, incluindo surtos da forma pneumónica.“
Desta forma, torna-se importante o trabalho em laboratórios de forma a melhorar o diagnósticos, o desenvolvimento de vacinas e a criação de novos antibióticos que estudem organismos vivos, explica a Zania Stamataki. Uma peste deste género se não for diagnosticada e tratada rapidamente pode ser fatal. Contudo, os antibióticos existentes respondem bem no tratamento.
“É tratável com antibióticos, principalmente se o tratamento for iniciado precocemente. É por isso que qualquer pessoa com alto risco potencial de exposição pode receber profilaxia pós-exposição com antibióticos ou quarentena”, revela o professor Malick Gibani também à BBC.

