Jovem que ficou em coma após beber batido indemnizada em 100 mil euros

Jovem que ficou em coma após beber batido indemnizada em 100 mil euros

Marta bebeu um batido com um ingrediente ao qual era alérgica. Deslocou-se ao hospital mas um erro no seu diagnóstico acabou por provocar-lhe lesões cerebrais graves. A família exigia uma indemnização de 4 milhões. Tribunal concordou, mas considerou que o valor deveria ser mais baixo.

© Facebook/Maria Verdejo Melero


08/09/2026
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Notícias ao Minuto

A família de Marta Pérez, jovem que sofreu lesões cerebrais após beber um batido, vai receber uma indemnização de 100 mil euros, noticia a Telecinco.

 

Um Tribunal de Valência reconheceu ter havido uma falha que culminou com o agravamento do estado de saúde de Marta, mas também reconhece erros que não são da responsabilidade direta da equipa de saúde que a atendeu. Assim, apesar de aprovar a indemnização, estabeleceu um valor menor do que aquele que era pedido pela família da jovem.

O que aconteceu?

O caso, recorde-se, remonta a 28 de setembro de 2022 quando Marta ingeriu um batido com pistácio, alimento ao qual era alérgica. A jovem deslocou-se ao hospital e indicou de imediato qual seria a sua situação. Contudo, os enfermeiros que a atenderam nesta primeira fase não transmitiram corretamente aos médicos a situação, ignorando a questão da alergia. 

Assim, a médica acabou por diagnosticar-lhe uma amigdalite aguda e prescreveu-lhe um corticosteroide, mandando-a para casa. Uma hora depois, a jovem regressou ao centro em estado crítico, cianótica e com graves dificuldades respiratórias. Sofreu um choque anafilático e uma paragem cardiorrespiratória com a duração de cerca de 10 minutos. A jovem entrou em coma e acabou por sofrer graves lesões cerebrais permanentes.

Que se disse em tribunal

Em tribunal, o relatório da defesa, elaborado pela Inspeção de Serviços de Saúde, argumentou que os sintomas durante a primeira consulta eram totalmente compatíveis com amigdalite e que a crise respiratória surgiu posteriormente e de forma inesperada.

A acusação,  por sua vez, denunciou uma flagrante violação médica , visto que não foi realizada uma entrevista adequada sobre o histórico médico e alergias da paciente, tendo-se criticado o diagnóstico de amigdalite sem febre por falta de lógica clínica.

Entretanto, o laudo pericial elaborado por um especialista em medicina interna confirmou que o histórico médico inicial da jovem era “insuficiente e deficiente”. Neste caso, salientou-se que em causa esteve um problema de sistema informático uma vez que a jovem estava registada há apenas dois anos no sistema de Saúde de Valência e no seu historial não constavam incidentes alérgicos nem o seu diagnostico de asma anterior. Em causa estaria uma falha na transferência dos seus dados do seu antigo centro de saúde para o atual, retirando-se assim alguma culpa à atuação médica.

Porém, por outro lado, criticou-se também o facto de Marta ter medicação de urgência para casos de alergias graves, tendo esta ignorada a toma dos mesmos.

A indemnização

Assim, e reconhecendo ter havido percalços no diagnóstico de Marta, a justiça decretou que a família deveria ser indemnizada em 100 mil euros, um valor bastante inferior aos mais de 4 milhões que eram pedidos pela família.

A decisão judicial afirma que a equipa médica, por vários motivos, perdeu uma oportunidade de fazer um diagnóstico correto, não lhe atribuindo culpas diretas. 

A indemnização estabelecida refere-se ao sofrimento emocional resultante dessa oportunidade perdida e não às consequências físicas diretas.

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