Mais de 100 pessoas foram detidas no Senegal por acusações relacionadas com práticas homossexuais e mais de 70 homens foram levados a tribunal para serem julgados, anunciou o Ministério Público senegalês.
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08/08/2026
por
Lusa
“[No final da investigação], 28 arguidos tiveram as suas acusações totalmente arquivadas, enquanto 71 foram encaminhados para julgamento por acusações de associação criminosa e atos contranatura”, anunciou na sexta-feira o procurador do Tribunal Superior de Pikine-Guédiawaye, na região de Dakar [capital do Senegal], Saliou Dicko, citado num comunicado.
Após a investigação, as acusações sobre pessoas acusadas de “colocar em perigo a vida de outros e de transmitir intencionalmente o [vírus] VIH e Sida ” foram também arquivadas, indicou Saliou Dicko.
Um dos casos arquivados diz respeito a um cidadão francês, engenheiro de 30 anos, residente em Dakar, que se encontra detido no Senegal desde 14 de fevereiro, nomeadamente por “atos contranatura”, revelou hoje à agência de notícias France-Presse (AFP).
O Ministério Público, “que tinha solicitado que todos os arguidos fossem levados a julgamento por estes vários crimes”, já recorreu contra o arquivamento dos 28 casos, segundo o comunicado.
Segundo a AFP, a maioria dos 100 detidos são homens, incluindo celebridades locais, sendo que alguns foram acusados de transmitir o vírus HIV de forma consciente.
Em março, o Senegal aprovou uma nova lei que duplicou as penas para as relações homossexuais, agora puníveis com cinco a dez anos de prisão, segundo a AFP.
Nos últimos meses, vários países da África Ocidental promulgaram leis que criminalizam a homossexualidade. Vinte dos 54 países africanos não criminalizam a homossexualidade.

