Uma multidão de brasileiros saiu hoje às ruas em várias cidades do Brasil, e no estrangeiro, em manifestações mobilizadas por artistas e sociedade civil em defesa da democracia e em apoio à reeleição de Lula da Silva.
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18/10/2026
por
Lusa
Uma multidão de brasileiros saiu hoje às ruas em várias cidades do Brasil, e no estrangeiro, em manifestações mobilizadas por artistas e sociedade civil em defesa da democracia e em apoio à reeleição de Lula da Silva.
As manifestações foram organizadas, na maioria dos casos, de forma independente da campanha de Lula da Silva, por artistas e movimentos da sociedade civil que apelaram à mobilização em defesa da democracia e ao voto no candidato do Partido dos Trabalhadores (PT), que não esteve presente em nenhuma ação de rua para se preparar para o debate de hoje contra o seu opositor e favorito à vitória na segunda volta das presidenciais no próximo domingo, Flávio Bolsonaro.
No Brasil, houve mobilizações em cidades como Rio de Janeiro, Brasília, Salvador, Curitiba e Porto Alegre, com caminhadas, concentrações e apresentações de artistas.
No estrangeiro, brasileiros manifestaram-se hoje em cidades como Lisboa e Londres em apoio à reeleição de Lula da Silva.
Em Brasília, os manifestantes concentraram-se junto ao Museu Nacional da República, na Esplanada dos Ministérios, seguindo depois em caminhada até à emblemática Praça dos Três Poderes.
A ação na capital contou com a atuação do vocalista dos Natiruts (uma banda icónica do reggae brasileiro), Alexandre Carlo.
Numa mensagem enviada à Lusa, Bruna Justa, administradora de 36 anos, foi taxativa ao explicar porque esteve hoje presente em Brasília.
“Porque o Brasil é um país soberano, que não deve ser governado pelo filho de alguém que está preso por tentativa de golpe de Estado e que é ligado às milícias”, disse, referindo-se à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro, e às acusações que a esquerda brasileira faz a Flávio Bolsonaro por ligações às milícias cariocas.
“Sensação de virada” e uma “sensação de união forte pela democracia”, disse à Lusa Ricardo Veras, outro participante.
Uma multidão vestida de vermelho ocupou a famosa orla de Copacabana, no Rio de Janeiro, num ato convocado por Caetano Veloso e pela produtora Paula Lavigne, que reuniu também artistas como Renata Sorrah, Leandra Leal e Cissa Guimarães e teve o ator Paulo Vieira como apresentador.
Os organizadores da ação em Copacabana orientaram os artistas a não fazer pedidos de voto nem utilizar números, slogans ou músicas de campanha, procurando evitar que a manifestação fosse configurada como um ‘showmício’, proibido pela legislação eleitoral brasileira.
Já em Salvador, uma multidão vestida de vermelho percorreu o famoso circuito de Carnaval Barra-Ondina, com artistas como Daniela Mercury, Gilberto Gil e BaianaSystem a animarem a mobilização a bordo de um trio elétrico.
Em São Paulo, onde Flávio Bolsonaro reuniu hoje milhares na Avenida Paulista, a mobilização a favor de Lula da Silva centrou-se nas periferias, com os rappers Emicida, Rashid e Karol Conká entre os artistas anunciados para o ato “O Rap Convoca”, na zona norte da cidade.
Desde que Lula da Silva ficou atrás de Flávio Bolsonaro na primeira volta, a 04 de outubro, estudantes e movimentos da sociedade civil têm promovido mobilizações nas ruas de várias cidades brasileiras, procurando conquistar votos e combater a abstenção antes da segunda volta, marcada para o próximo domingo.
Na primeira volta, Flávio Bolsonaro obteve 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula da Silva, uma vantagem de 2.224.965 votos, sendo que, desde a introdução do sistema de duas voltas nas presidenciais brasileiras, em 1989, nenhum candidato que terminou a primeira votação em segundo lugar conseguiu vencer a eleição.

