O gabinete do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, denunciou hoje uma campanha de “difamação” contra Israel e os seus colonos na Cisjordânia ocupada, após um ataque na região que visou diplomatas e representantes europeus.
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17/10/2026
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Lusa
O gabinete do primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, denunciou hoje uma campanha de “difamação” contra Israel e os seus colonos na Cisjordânia ocupada, após um ataque na região que visou diplomatas e representantes europeus.
Estas informações “surgem num clima de preocupação com uma campanha coordenada que visa difamar Israel e os habitantes judeus da Judeia e Samaria durante a colheita anual de azeitonas, fazendo uso de manchetes sensacionalistas antes mesmo de todos os factos serem conhecidos”, afirmou o gabinete de Netanyahu num comunicado, utilizando os nomes de origem bíblica para se referir à Cisjordânia ocupada.
O chefe da diplomacia israelita, Gideon Saar, já tinha “condenado veementemente” os “graves atos de violência”, atribuindo-os a “agitadores israelitas”.
Colonos israelitas atacaram hoje uma delegação de diplomatas e representantes europeus que se encontrava de visita na Cisjordânia ocupada, agredindo fisicamente um presidente de câmara francês, segundo fontes diplomáticas citadas pela agência France-Presse (AFP).
Nas imagens de um vídeo, o presidente da câmara de Aulnoye-Aymeries (norte), Bernard Baudoux, aparece caído no chão e encostado a um carro.
Apesar da agressão, o autarca comunista não corre perigo de vida, avançou um diplomata.
O ataque à delegação composta por diplomatas e representantes de França, Bélgica e Polónia aconteceu na localidade cristã de Taybeh, a leste de Ramallah (Cisjordânia ocupada), confirmou o pároco do Patriarcado Latino desta localidade, Bashar Fawadleh, citado pela agência espanhola EFE.
“A violência atingiu um veículo pertencente ao consulado da Bélgica, cuja janela foi destruída. Os membros da delegação francesa em visita também foram alvo de agressões, tal como fica documentado nas fotografias do incidente”, denunciou Fawadleh num comunicado publicado na sua conta da rede social X.
Entretanto, a Bélgica já condenou o ataque à delegação europeia, que também teve como alvo um dos seus diplomatas.
Israel ocupa a Cisjordânia desde 1967, na sequência da Guerra dos Seis Dias, mantendo também a anexação de Jerusalém Oriental, não reconhecidas pela comunidade internacional.
Lado a lado com cerca de três milhões de palestinianos, mais de 500 mil israelitas vivem atualmente em colonatos na Cisjordânia, considerados ilegais pelas Nações Unidas à luz do direito internacional.
A política de colonização tem sido mantida por sucessivos governos israelitas desde 1967, mas intensificou-se após a formação do atual executivo liderado por Benjamin Netanyahu, no final de 2022, e ganhou novo impulso na sequência do ataque do movimento islamita palestiniano Hamas, em 07 de outubro de 2023.
A violência também agravou-se desde outubro de 2023, com ataques quase diários de colonos judeus contra palestinianos.
Mais de mil palestinianos foram mortos no local desde outubro de 2023, a maioria por soldados israelitas, segundo um inquérito da AFP baseado em dados do Ministério da Saúde palestiniano.
Segundo números de Israel, cerca de 50 israelitas morreram no mesmo período em ataques palestinianos ou durante operações militares israelitas.
A violência cometida pelos colonos raramente resulta em investigações sérias ou processos judiciais, segundo as organizações não-governamentais israelitas e palestinianas.

