Mais de 91% das Unidades de Saúde Familiares (USF) registaram no último ano três ou mais episódios de indisponibilidade de aplicações informáticas e mais de 82% registaram falhas de material básico, revela um estudo que é hoje apresentado.
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16/10/2026
por
Lusa
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Mais de 91% das Unidades de Saúde Familiares (USF) registaram no último ano três ou mais episódios de indisponibilidade de aplicações informáticas e mais de 82% registaram falhas de material básico, revela um estudo que é hoje apresentado.
Realizado pela Associação Nacional de Unidades de Saúde Familiar (USF-AN), o relatório “O Momento Atual da Reforma dos Cuidados de Saúde Primários em Portugal 2025/2026” revela que todas as USF que responderam ao questionário tiveram pelo menos um episódio de indisponibilidades das aplicações informáticas.
“Em 91,1% das USF as falhas ocorreram três ou mais vezes e, destas, em 15,7%, as falhas ocorreram mais de 50 vezes no ano; também 15,7% das USF esperaram mais de um dia pela reposição do acesso (10,0% em 2024/25) e 98,7% referem impacto na qualidade dos cuidados, o valor mais alto da série”, lê-se no relatório que junta as respostas de 541 coordenadores de USF.
Atualmente existem 717 USF, mas à data (19 de junho a 4 de agosto deste ano) deste estudo eram 712.
Segundo a USF-AN, 76% dos coordenadores convidados a responder contribuíram para o estudo que será apresentado hoje no 17.º Encontro Nacional das USF com o lema “Saúde para Todos, Compromisso de Todos”, em Gondomar, no distrito do Porto.
Em declarações à agência Lusa, o presidente da USF-AN e coordenador do estudo, André Biscaia, alertou que “uma falha informática não é só uma falha informática, é também uma situação de risco clínico para o utente e um risco para o profissional”.
“Neste momento temos tudo informatizado, já não temos nada em suporte de papel. Uma falha informática, às vezes durante um dia, às vezes até mais de um dia, é trabalhar no escuro, é trabalhar sem qualquer tipo de suporte. É muito grave”, analisou.
Quanto a faltas de material, 82,6% das USF registaram faltas de material básico durante o ano, 22,7% mais de 10 vezes, em 31,1% três a 10 vezes e em 28,8% uma a duas vezes.
“Em 68,6% dos casos a reposição demorou 48 horas ou mais”, lê-se no estudo.
“Quando estamos a falar de material básico, estamos a falar de material para pensos, alguns medicamentos, também vacinas, coisas perfeitamente fulcrais para aquilo que realmente são os cuidados básicos e normais de uma USF. Portanto, tudo isto leva a uma grande perturbação da atividade. E muita da insatisfação resulta disto”, disse André Biscaia.
A USF-AN também analisou algumas aplicações, como por exemplo, uma que está atualmente na ordem do dia, a ‘eVacinas’.
“Estamos em plena época de vacinação contra a gripe, e as falhas são mais que muitas”, lamentou o presidente da USF-AN, especificando que “muitas vezes o sistema está muito lento, outras vezes simplesmente não funciona”, o que “implica que muitas vezes os enfermeiros têm que estar a vacinar sem terem a certeza absoluta se a pessoa já foi vacinada, ou se tem algum problema, ou se há algum restringimento”.
No relatório lê-se que “a ‘eVacinas merece este ano particular destaque, pelas piores razões”, uma vez que “historicamente a aplicação mais bem avaliada de todas as que constam do estudo, com taxas de satisfação sempre superiores a 60% desde 2020/21, regista agora uma queda de 61,9% para 43,7% (menos 18,2 pontos percentuais), o maior recuo alguma vez registado nesta série”.
“Apesar de não estar discriminado neste estudo, acreditamos que a queda esteja relacionada também com a introdução do ‘eVacinas 2.0’ em abril de 2026, uma plataforma há muito esperada, mas cujo arranque não foi isento de percalços”, acrescenta.

