Pirataria somali quintuplicou em 2026, mas diminuiu no Golfo da Guiné

Pirataria somali quintuplicou em 2026, mas diminuiu no Golfo da Guiné

Os incidentes atribuídos a piratas somalis quintuplicaram nos primeiros nove meses de 2026, passando de três para 15, enquanto no Golfo da Guiné diminuíram de 15 para dois, segundo o Gabinete Marítimo Internacional (IMB).

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15/10/2026
por

Lusa

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Os incidentes atribuídos a piratas somalis quintuplicaram nos primeiros nove meses, passando de três para 15, enquanto no Golfo da Guiné diminuíram de 15 para dois, informou hoje o Gabinete Marítimo Internacional (IMB, na sigla em inglês).

 

Na comparação com o mesmo período do ano passado, este contraste verifica-se a nível mundial, apesar dos incidentes de pirataria e roubo à mão armada contra navios terem descido para o seu nível mais baixo desde 1992, com 51 casos entre janeiro e setembro, contra os 116 registados no mesmo período de 2025.

Desses 51 incidentes, 36 navios foram abordados, oito sequestrados, quatro foram alvo de disparos e registaram-se três tentativas falhadas.

O IMB, organismo da Câmara de Comércio Internacional (ICC, na sigla em inglês), alertou especialmente para o ressurgimento da pirataria somali, responsável pelos oito sequestros de embarcações registados em todo o mundo e por 94% dos tripulantes tomados como reféns a nível global.

No total, 85 marinheiros foram retidos por piratas somalis a bordo de quatro petroleiros, dois navios de carga geral e duas embarcações tradicionais à vela.

“Embora os níveis de incidentes estejam no seu ponto mais baixo em mais de três décadas, o recente recrudescimento da atividade pirata somali lembra que a ameaça persiste”, afirmou o diretor do IMB, Michael Howlett.

Os piratas somalis foram também responsáveis pelos quatro ataques com disparos contra navios registados a nível mundial.

A maioria dos navios sequestrados foi posteriormente libertada com as suas tripulações a salvo, embora o organismo tenha recordado o caso excecional do petroleiro Honour 25, com bandeira de Palau, capturado em 21 de abril.

As autoridades do estado semi-autónomo somali de Puntlândia informaram, no final de setembro, que cinco tripulantes foram assassinados — 100% dos marinheiros mortos em incidentes de pirataria e roubo à mão armada registados pela IMB em todo o mundo entre janeiro e setembro — e outros cinco ficaram feridos antes da libertação desse navio (83% do total).

O IMB salientou que estes episódios demonstram que os piratas somalis mantêm a capacidade de atacar embarcações na região, embora o seu alcance não seja comparável às operações em alto mar que caracterizaram o auge da pirataria entre 2008 e 2013.

A evolução foi muito diferente no Golfo da Guiné, historicamente uma das principais zonas de pirataria da África Ocidental.

Nessa zona, foram registados apenas dois incidentes entre janeiro e setembro, contra os 15 do mesmo período de 2025, e nenhum durante o terceiro trimestre deste ano.

A IMB elogiou os esforços dos países costeiros da região para manter baixos os níveis de pirataria e roubo à mão armada, embora tenha apelado à manutenção da vigilância.

A nível mundial, 105 tripulantes foram diretamente afetados pelos ataques durante os primeiros nove meses de 2026, contra os 72 registados no mesmo período de 2025, apesar da diminuição geral do número de incidentes.

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