Reestruturação dos transportes de Coimbra reduz de 112 para 52 linhas

Reestruturação dos transportes de Coimbra reduz de 112 para 52 linhas

A reestruturação da rede de transportes urbanos de Coimbra prevê a redução de 112 para 52 linhas, com extensões mais curtas, maior frequência e maior complementaridade com outros operadores.

© Global Imagens


16/10/2026
por

Lusa

A proposta de reestruturação da rede de transportes urbanos de Coimbra estima a criação de 52 linhas, em vez das atuais 112, com extensões mais curtas, maiores frequências e maior complementaridade com outros operadores.

 

A base da reestruturação da rede dos Serviços Municipalizados dos Transportes Urbanos de Coimbra (SMTUC) teve hoje em Eiras a primeira de três sessões públicas de apresentação, depois de uma primeira iniciativa dirigida aos presidentes das juntas de freguesia do concelho.

A filosofia da rede, que ainda não está fechada, pressupõe menos linhas, extensões médias mais curtas, maior frequência, eliminação de redundâncias e uma leitura mais simples face ao atual sistema, que conta com 112 linhas (e mais de 200 percursos distintos) e pouco integrada com novos operadores no terreno (transportes intermunicipais e ‘metrobus’), afirmou hoje Sandra Lameiras, da OPT, empresa responsável pelo estudo.

A redução de linhas não pressupõe a redução da conectividade da rede, sendo essa uma das exigências do caderno de encargos.

De uma extensão média de 19 quilómetros por linha, a proposta que começa a ser discutida com a população propõe uma extensão média de linhas de 12 quilómetros e uma complementaridade entre linhas e operadores, com a criação de interfaces de transbordo, aclarou a responsável, que falava durante a sessão de apresentação que decorreu hoje ao final do dia em Eiras.

Segundo a OPT, a proposta prevê sete linhas de bairro (linhas curtas e de elevada frequência para assegurar cobertura de proximidade na zona central de Coimbra) e cinco linhas urbanas, de ligação entre os principais polos de atração da cidade, como os hospitais, universidades, centros comerciais e outros.

Além disso, estão previstas duas linhas circulares de maior extensão (cerca de 15,8 quilómetros), cada uma a funcionar nos dois sentidos e com uma a servir a margem esquerda do concelho e a outra a margem direita.

O grosso das linhas da nova proposta centra-se nas chamadas radiais, de ligação da periferia ao centro, em que se propõe um aumento das frequências, mas reduzindo a sua dimensão.

As linhas radiais dividem-se por setores (norte, sul, este e oeste).

Segundo o diretor de Departamento de Mobilidade, Trânsito e Transportes da Câmara de Coimbra, Tiago Cardoso, aquilo que está agora a ser apresentado é “uma base de trabalho desenvolvida ao longo de vários meses”, que reformula por completo a atual rede dos SMTUC.

“Deixamos de ter uma lógica de linhas que atravessam a cidade toda e passamos a ter uma lógica por quadrantes: linhas de norte, de centro, sul, este e oeste e que depois rebatem em pontos específicos com outras linhas”, disse.

Pensando numa lógica de complementaridade entre operadores, o objetivo é que as pessoas consigam chegar ao seu destino final com o máximo de um transbordo, aclarou.

Apesar de algumas linhas continuarem a ter uma configuração semelhante face àquelas que existem atualmente, os seus nomes também serão mudados (linhas do norte serão N, de bairro B, urbanas U e circulares C).

Com a redução da extensão média das linhas, Tiago Cardoso afirma que será possível aumentar o número de viagens e assegurar uma maior frequência.

“Nós não nos estamos a cingir àquilo que é a capacidade de execução dos SMTUC. Se no fim se verificar que os SMTUC não têm capacidade para fazer, o que se pode fazer é eventualmente o serviço ser concessionado parcialmente. Podemos ter determinadas zonas a serem feitas por uma concessão”, aclarou.

Depois destas três sessões públicas (além da sessão de hoje, há duas no sábado), o município pretende criar um ‘site’ específico com a proposta e um simulador para que os utentes possam simular as suas viagens e apresentar contributos e críticas.

A nova rede terá de estar pronta quando a operação do ‘metrobus’ ficar completa, com a conclusão da empreitada da linha do hospital, que se estima que aconteça no final do primeiro trimestre de 2027.

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