Os bancos centrais dos EUA, Europa e Japão mantêm as taxas de juro em reuniões de outubro, enquanto o Banco do Canadá pode aumentá-las, segundo analistas.
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24/10/2026
por
Lusa
Os bancos centrais dos EUA, Europa e Japão preparam as suas reuniões da próxima semana com a perspetiva de manter as taxas de juro ou a possibilidade de adiar uma subida para dezembro, enquanto o do Canadá poderá aumentá-las.
A maioria dos analistas ouvidos pela agência de notícias espanhola EFE não prevê alterações na reunião da próxima semana do Banco Central Europeu (BCE), a realizar na quarta e na quinta-feira, nem na reunião de terça e quarta-feira da Reserva Federal (Fed) dos Estados Unidos.
No entanto, existe a possibilidade de o BCE aumentar as taxas a 17 de dezembro e a Fed no dia 09 do próximo mês, para conter a inflação.
No caso do Banco do Japão (BoJ), que se reúne de quinta a sexta-feira, também não se prevê que aumente as taxas, embora seja muito provável que o faça a 18 de dezembro.
Num contexto em que o aumento dos custos energéticos, na sequência da guerra no Irão, tem vindo a alimentar a inflação e a reduzir o poder de compra das famílias e os lucros das empresas, enfraquecendo a procura, o BCE enfrenta um difícil dilema, apontam os analistas.
Embora novos aumentos das taxas de juro possam ajudar a conter as pressões inflacionistas gerais, também acarretam o risco de enfraquecer o crescimento económico, segundo os especialistas da Morningstar.
Os problemas orçamentais da França estão a provocar um aumento do seu prémio de risco, ultrapassando os 170 pontos base, um nível que não se registava há 15 anos.
Os investidores exigem uma compensação maior devido ao elevado nível da dívida pública francesa, aos défices orçamentais persistentes e à incerteza política na perspetiva das eleições presidenciais do próximo ano.
A rendibilidade das obrigações a 10 anos ultrapassou esta semana os 5%, um nível que não se registava há mais de 24 anos.
A DWS também não prevê um aumento das taxas de juro pelo BCE na próxima quinta-feira, enquanto os economistas do ING consideram que as turbulências na dívida francesa e o seu contágio aos restantes países equivalem a um aumento das taxas de juro de 50 pontos base.
O BCE iniciou um ciclo de subidas das taxas de juro em julho de 2022, elevando a taxa de depósito de -0,50% para 4% através de 10 subidas consecutivas.
A partir de junho de 2024, reduziu as taxas de juro em oito ocasiões, colocando a taxa de referência novamente nos 2%, antes de os responsáveis pela política monetária retomarem os aumentos em junho de 2026, elevando-a para 2,50%, prevendo-se, segundo o UBS, um novo aumento de 0,25% em dezembro, o que colocaria a taxa de juro dos depósitos em 2,75%.
O aumento dos rendimentos das obrigações no mês de outubro já teve o mesmo impacto no crescimento e na inflação que um aumento adicional das taxas de 0,25%, com a alemã a chegar a ultrapassar os 3,6%, a francesa a atingir os 5%, a espanhola a atingir os 4,2% intradiários na sessão de 01 de outubro e a americana a ultrapassar os 5,3% no passado dia 05.
No caso dos EUA, a proximidade das eleições intercalares e a necessidade de avaliar o impacto no mercado do último aumento para 3,75%-4% seriam alguns dos argumentos mais relevantes para adiar a decisão de voltar a aumentar as taxas.
Por seu lado, o BoJ prepara-se para manter as taxas de juro em 1,25%, interrompendo a sequência de aumentos que levou o preço do dinheiro a máximos de mais de três décadas.
Em contrapartida, no Banco do Canadá, os analistas, entre os quais os da KPMG, esperam que a taxa suba de 2,25% para 2,50%, depois de o governador da instituição, Tiff Macklem, ter alertado para o aumento do risco de uma inflação generalizada e prolongada.

