Sérvia contra saída de tropas da NATO de zona no Kosovo

Sérvia contra saída de tropas da NATO de zona no Kosovo

O presidente da Sérvia, Aleksandar Vucic, pediu à missão da NATO no Kosovo, a KFOR, que reconsidere a sua saída da ponte Ibar, na cidade de Mitrovica, o principal aglomerado urbano do Kosovo com maioria da população sérvio-kosovar.

© Stringer/Anadolu via Getty Images


22/08/2026
por

Lusa

A KFOR é responsável pela segurança na ponte há 27 anos, até que, no passado dia 10 de agosto, anunciou uma retirada gradual dos membros dos Carabinieri italianos na zona norte da ponte, para que a Polícia do Kosovo assumisse o controlo da área.

 

O comandante da KFOR, o general turco Ozkan Ulutas, alegou na altura que se tratava de um “processo de otimização”, dada “a melhoria das condições de segurança no terreno”, argumento que Vucic rejeitou categoricamente numa carta enviada na quinta-feira ao secretário-geral da NATO, Mark Rutte.

Na missiva, divulgada pelo portal Kosovo On Line, Vucic afirmou que, entre 2021 e 2026, se registaram mais de 800 ataques por motivos étnicos contra sérvios e insistiu mais uma vez que a população sérvio-kosovar é, há anos, vítima de uma perseguição sistemática por parte do Governo do Kosovo.

“Dado que a ponte principal sobre o rio Ibar e as suas imediações se tornaram um foco de ataques contra sérvios e outros não-albaneses, os residentes de Mitrovica encaram a abertura da ponte principal com receio, vendo-a simplesmente como uma preparação técnica para a continuação da sua limpeza étnica”, afirmou Vucic, que também se referiu a um caso semelhante que está a ocorrer no mosteiro de Visoki Decani, onde a Polícia do Kosovo também foi incluída no dispositivo de segurança.

Recorde-se que Vucic ameaçou desviar o curso do rio Ibar e reduzir o caudal que chega ao Kosovo, como retaliação aos alegados maus tratos.

Em resposta, fontes da NATO salientaram que, apesar desta retirada, a KFOR “manterá uma presença visível no sul e no norte de Mitrovica e continuará a contribuir para manter um ambiente seguro para todas as comunidades do Kosovo”.

A Rússia, um aliado tradicional da Sérvia, manifestou-se radicalmente contra a retirada da KFOR, considerando que “a população sérvia local está a ser alvo de uma campanha de terrorismo sistemático” por parte das autoridades kosovares, com “a aprovação tácita da presença internacional sob os auspícios da NATO, da União Europeia e das Nações Unidas”, afirmou a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros russo, Maria Zakharova.

Moscovo, que continua a considerar o Kosovo parte indissociável da Sérvia, acusou o Governo de Pristina de orquestrar, há já algum tempo, uma “campanha de demolições de propriedades sérvias”, como sucedeu com “a destruição de edifícios no lago de Gazivoda” em julho passado.

O lago artificial, a que os kosovares chamam Ujmani, retém as águas do rio Ibar e é fundamental para o desenvolvimento da região.

O Kosovo confirmou, de facto, a demolição, em julho passado, de 17 edifícios de propriedade sérvia nas margens do lago, mas assegurou que as demolições afetavam imóveis construídos ilegalmente em terrenos considerados essenciais devido à sua importância para os recursos hídricos e energéticos.

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Lusa | 19:06 – 10/08/2026

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