Taiwan promete acompanhar exercícios militares chineses ao largo da ilha

Taiwan promete acompanhar exercícios militares chineses ao largo da ilha

O ministro da Defesa de Taiwan afirmou hoje que as autoridades vão acompanhar “de perto” os exercícios militares iniciados pela China ao largo da sua costa, alguns dos quais previstos para zonas próximas da ilha.

© Johannes Neudecker/picture alliance via Getty Images


12/10/2026
por

Lusa

O ministro da Defesa de Taiwan afirmou hoje que as autoridades vão acompanhar “de perto” os exercícios militares iniciados pela China ao largo da sua costa, alguns dos quais previstos para zonas próximas da ilha.

 

“Segundo o princípio de nos prepararmos para o pior, continuaremos a acompanhar de perto todas as suas atividades, quer se trate de exercícios com fogo real ou de outros treinos militares”, declarou Wellington Koo, perante os deputados do parlamento taiwanês, o Yuan Legislativo.

Desde quinta-feira, a Administração de Segurança Marítima da China emitiu pelo menos seis avisos à navegação relativos a exercícios militares que decorrerão de forma intermitente até 20 de outubro, em diferentes pontos da costa chinesa, desde a ilha de Hainão, no sul do país, até ao mar de Bohai, no norte.

As manobras abrangem também o mar Amarelo, o mar do Leste da China e o mar do Sul da China.

Os exercícios mais próximos de Taiwan estão previstos para os dias 13 a 15 de outubro, em períodos de uma a duas horas, numa zona marítima ao largo da província chinesa de Zhejiang (leste), cerca de 280 quilómetros a norte da ilha.

Até ao momento, Pequim não enquadrou estas manobras numa operação militar de maior dimensão, sendo que este tipo de avisos à navegação está habitualmente associado a exercícios de rotina do Exército de Libertação Popular (ELP).

Em declarações citadas pela agência de notícias taiwanesa CNA, Koo afirmou que o Ministério da Defesa tem “pleno conhecimento” da situação e explicou que, segundo uma avaliação preliminar, as atividades correspondem a exercícios de tiro de unidades de artilharia e outras forças.

O governante garantiu que as Forças Armadas taiwanesas continuarão a acompanhar os movimentos chineses, segundo o princípio de “sobrestimar o adversário”.

“O ELP não deixa de realizar exercícios que constituem uma ameaça militar e geram instabilidade no Indo-Pacífico, merecendo a condenação de todos”, afirmou.

A Administração Marítima e Portuária de Taiwan indicou à CNA que as entradas e saídas dos portos comerciais decorrem “com normalidade” e que, até ao momento, os exercícios chineses não afetam os navios que navegam nas águas em redor da ilha.

As manobras ocorrem poucos dias depois das comemorações do Dia Nacional da República da China, designação oficial de Taiwan, assinalado em 10 de outubro.

Na ocasião, o Presidente taiwanês, William Lai, defendeu um aumento das despesas militares da ilha como forma de evitar um conflito com Pequim.

Em declarações divulgadas no domingo, o porta-voz do ministério da Defesa chinês, Chen Xi, acusou Lai de se “agarrar obstinadamente” à sua “posição independentista” e de “incitar ao confronto” entre os dois lados do estreito de Taiwan, visando “procurar a independência pela força”.

“O Exército de Libertação Popular realiza regularmente atividades de treino em redor da ilha de Taiwan precisamente para dissuadir as ações imprudentes dos independentistas e as tentativas de ingerência externa”, afirmou Chen.

“É algo perfeitamente legítimo e irrepreensível”, acrescentou o porta-voz, numa referência às operações militares chinesas em torno da ilha.

Pequim considera Taiwan território chinês e não exclui o recurso à força para assumir o controlo.

Pequim mobiliza quase diariamente navios de guerra, caças e embarcações da guarda costeira nas imediações da ilha, cuja soberania reivindica, uma posição rejeitada por Taipé.