O Presidente norte-americano, Donald Trump, pediu a desqualificação da candidata democrata ao Senado no Alasca, que segundo a imprensa incentivou a candidatura de um homónimo do seu concorrente republicano para dividir os votos deste partido.
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29/10/2026
por
Lusa
O Presidente norte-americano, Donald Trump, pediu hoje a desqualificação da candidata democrata ao Senado no Alasca, que segundo a imprensa incentivou a candidatura de um homónimo do seu concorrente republicano para dividir os votos deste partido.
A poucos dias das eleições intercalares de 03 de novembro, as sondagens dão uma ligeira vantagem à candidata democrata, Mary Peltola, neste estado tradicionalmente conservador, numa corrida que será decisiva para o controlo da câmara alta do Congresso, atualmente de maioria republicana.
Segundo o New York Times, a campanha de Peltola realizou pesquisas nos registos eleitorais para encontrar um homónimo do senador republicano em exercício, Dan Sullivan. A candidatura do homónimo, um professor reformado que vive numa vila piscatória, terá sido lançada após uma conversa com um consultor democrata.
O DSCC, órgão da campanha democrata para candidatos ao Senado, também terá participado nestes esforços para dividir o apoio ao senador republicano. A campanha de Mary Peltola e o DSCC negaram ao New York Times qualquer envolvimento no caso.
O jornal nova-iorquino sublinha que as revelações não apontam, em princípio, para qualquer ato ilícito, mas Trump recorreu às redes sociais para classificar as ações dos democratas como “ilegais”.
“Mary Peltola deveria arcar com as consequências legais e políticas pelo que fez: uma FRAUDE CONTRA O POVO AMERICANO”, declarou Donald Trump na rede Truth Social. “Ela não deveria ter permissão para se candidatar, e o FALSO Dan Sullivan também não”, acrescentou numa segunda publicação.
As revelações do jornal nova-iorquino provêm, em parte, de Elisa Rios, uma antiga funcionária da campanha de Mary Peltola, demitida em agosto juntamente com outros membros da equipa. A candidata não participou diretamente nestas ações, mas estava ciente das mesmas, segundo a mesma fonte.
O jornal afirma que a investigação baseia-se em entrevistas a várias pessoas, mensagens e documentos.
Devido ao caso do homónimo, o Departamento de Justiça apresentou na semana passada uma queixa para impedir a certificação da corrida ao Senado no Alasca, caso o Dan Sullivan republicano perca as eleições.
Os republicanos sustentam que o independente Daniel J. Sullivan é um candidato “plantado” pelos democratas para desviar votos do seu candidato, o que aquele nega.
O Supremo Tribunal do Alasca rejeitou uma tentativa anterior dos republicanos de retirar Daniel J. Sullivan do boletim de voto; coube às autoridades republicanas do Estado decidir como seria listado no documento.
Aparecerá sem nomeação partidária ao lado do seu nome, enquanto o senador será identificado como o incumbente republicano.
O sistema de votação por ordem de preferência do Alasca também permitirá aos eleitores selecionar ambos os candidatos, caso fiquem confusos.
Peltola, que já tinha cumprido um mandato na Câmara dos Representantes, foi a candidata mais votada nas primárias apartidárias, à frente do senador Sullivan. Ambos os partidos preveem que a vitória em novembro seja por uma margem estreita, num estado com 738 mil habitantes.
O senador obteve mais de 68 mil votos nas primárias de agosto, enquanto o seu homónimo conquistou 4.107 votos, cerca de 2% do total.
O Departamento de Justiça tem sido utilizado, cada vez mais, para fortalecer a operação política do Presidente, visando os seus adversários e movendo ações judiciais contra estados controlados pelos democratas antes das intercalares.
Os democratas e muitos defensores do direito de voto temem, há algum tempo, que o governo tente impedir a certificação de eleições em que o partido de Trump seja derrotado — tal como ele tentou, sem sucesso, fazer quando perdeu a corrida à Casa Branca para o democrata Joe Biden.
A Constituição norte-americana confere aos estados o poder de conduzir as eleições.
A etapa final de uma eleição estadual é a certificação formal do vencedor — ato que a ação judicial do governo procura impedir.

