Violação em grupo: Universidade de Cornell proíbe festas de fraternidades

Violação em grupo: Universidade de Cornell proíbe festas de fraternidades

A Universidade de Cornell proibiu as festas em fraternidades, medida que vai durar pelo menos até ao final do ano letivo. Em causa está uma violação em grupo que remonta a 2024, tendo o caso sido agora reaberto – e, agora, a polícia estatal de Nova Iorque está a investigar.

© Anna Moneymaker/Getty Images


14/10/2026
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Notícias ao Minuto

A Universidade de Cornell suspendeu as festas em fraternidades até, pelo menos, ao final do ano letivo 2026/2027, na sequência da denúncia de uma violação em grupo decorrida em 2024.

 

A informação, que está sujeita a prolongar-se para 2027 mediante avaliação, foi dada em comunicado na terça-feira. Na nota emitida pelo presidente da universidade, Michael Kotlikoff, é também referido que o caso está a partir de agora a ser investigado pela polícia do estado de Nova Iorque.

Segundo o comunicado, que pode consultar aqui, a partir de agora existirá uma política de tolerância zero em caso de incumprimento desta norma, oq ue implicará a suspensão de alguma fraternidade se esta organizar algum evento.

“Medidas assim darão tempo para uma análise minuciosa da vida nas fraternidades de Cornell, a fim de determinar se – e de que maneira – ela pode continuar com segurança”, escreveu Kotlikoff.

A Universidade de Cornell tem mais de 20 fraternidades. Questionada pela Associated Press, a instituição não detalhou mais pormenores acerca destas medidas de tolerância zero, não sendo claro, para já, se a proibição destas festas se estende a situações fora do campus universitário.

Não é a primeira vez que Cornell proíbe festas de fraternidades. Em 2022, a universidade suspendeu todos os eventos sociais de forma temporária depois de relatos de agressões sexuais e de estudantes serem drogados em casas relacionadas com estes grupos.

Três anos antes, em 2019, um caloiro, Antonio Tsialas, foi encontrado morto num desfiladeiro após um alegado incidente durante uma praxe académico. No ano anterior, membros de uma fraternidade disputaram entre si para eleger um que tivesse tido relações sexuais com mulheres acima do peso.

Na nota emitida na terça-feira, o presidente da universidade “lamentou profundamente o sofrimento causado a Jane Doe [nome fictício usado no processo] em 2024”. “Estou consternado com o facto de esse ato de violência sexual ter ocorrido na nossa comunidade de Cornell. É evidente que as mulheres no nosso campus continuam a questionar a sua segurança. Devemos enfrentar este momento a reconhecer as nossas falhas e a tomar medidas significativas”, aponta Kotlikoff, que há cerca de uma semana falou pela primeira vez sobre o tema.

Note-se que já no início deste mês, foi anunciado que a procuradora-geral de Nova Iorque vai liderar uma investigação especial sobre uma alegada violação na Universidade de Cornell. Em causa está o facto de ter sido revelado que a polícia do campus omitiu parte do depoimento da vítima no caso em questão.

O caso remonta à noite de 19 para 20 de outubro de 2024, numa festa da fraternidade Chi Phi, onde a jovem consumiu álcool e, segundo o seu relato, foi pressionada a consumir cetamina por via nasal.

A mulher alega que, sob o efeito de álcool e de um anestésico, foi posteriormente violada durante várias horas por sete estudantes.

A queixa apresentada pelos advogados da jovem sustenta que esta demorou alguns dias a assimilar o sucedido, antes de apresentar a sua versão dos acontecimentos à polícia da Universidade de Cornell.

Segundo Hochul, parte desse depoimento acabou por ser omitida na transmissão do caso.

A universidade manifestou apoio ao envio do processo para o tribunal e rejeitou as acusações de que os estudantes envolvidos não tenham sido punidos.

Segundo Cornell, dois dos estudantes foram expulsos e, em nenhum momento, as sanções aplicadas se limitaram à elaboração de um ensaio, como chegou a ser noticiado.

Quatro dos sete estudantes admitiram ter mantido relações sexuais com a jovem, mas sustentam que foram consensuais.

Os outros três negaram ter participado nos atos denunciados.

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