O principal suspeito do sequestro e homicídio de Lyhanna, uma menina de 11 anos, em França, tem queixas contra si que remontam quase 10 anos. A primeira ocorreu em 2017, mas desde aí têm sido frequentes e sempre envolvendo menores.
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06/06/2026
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Jérôme Barella é o principal suspeito, já acusado, pelo sequestro e homicídio da pequena Lyhanna, em França. O homem, de 41 anos, que foi o último a ver a menor, tem queixas contra si que remontam quase dez anos, mas conseguiu sempre escapar à Justiça.
A primeira acusação contra Barella surge em dezembro de 2017, quando a mãe de uma jovem de 17 anos denunciou às autoridades que o homem mantinha uma relação com a sua filha. O caso chegou a ser investigado, relata o meio francês RTL, mas acabou sem resolução depois de a menor afirmar que o relacionamento era consensual. A queixa foi arquivada dois meses depois, em fevereiro de 2018.
Em 2021, voltam a haver acusações relacionadas com menores dirigidas a Barella. Diz o mesmo órgão que o suspeito foi despedido do seu trabalho enquanto funcionário de limpeza numa escola, após ser instaurado um processo disciplinar contra si, devido a um “comportamento inadequado” com uma aluna.
A denúncia seguinte surge em 2022: Barella é acusado de violar uma rapariga de 15 anos. Os factos terão acontecido em 2020 na casa do próprio suspeito. De novo, o caso foi investigado e, de novo, ficou arquivado. Segundo o Ministério Público francês, havia “falta de provas” para prosseguir com a acusação de Barella.
O último caso é relativamente recente e, à semelhança do anterior, envolve também a violação de uma menor. Segundo a mãe da alegada vítima, a sua filha, de apenas dez anos, foi repetidamente violada por Barella entre setembro de 2024 e maio de 2025 na casa do suspeito.
Ao contrário de todos os outros incidentes, este estava ainda sob investigação, tendo já sido realizadas uma série de diligências, incluindo a entrevista à menor. Contudo, o caso estava parado há já 9 meses quando Lyhanna desapareceu, devido à transferência de informações entre os tribunais e os órgãos de investigação. Barella, inclusive, ainda não tinha sido interrogado.
Queixas contra Barella continuam a surgir
Os sucessivos casos de alegados abusos sexuais contra menores que pendem sobre o nome de Barella estão agora a gerar descontentamento entre os franceses, que criticam a lentidão do seu sistema judicial e o facto de o suspeito estar há, pelo menos, dez anos a escapar impune aos seus supostos crimes.
Desde que o caso de Lyhanna ganhou atenção mediática, inclusive internacional, têm surgido mais casos de abusos sexuais ligados a Barella. A 3 de junho, uma outra menor alegou ter sido violada durante uma festa de pijama na casa de Barella, no verão de 2025.
Um dia depois, a 4 de junho, foi incluída uma nova pista num outro caso de violação que remonta a 2023 e que, inicialmente, tinha sido apresentado sem ser conhecido o agressor. Segundo a RTL, a vítima reconheceu o rosto de Barella quando apareceu em fotografias publicadas pelos órgãos de comunicação social.
Ministro da Justiça pediu “perdão” aos franceses
O descontentamento gerado pela falha das instituições de justiça francesas já levaram o próprio ministro que tutela a pasta a pedir “perdão” ao povo.
“A instituição judicial que represento tem como objetivo proteger o povo francês. E hoje falhou em proteger esta menina”, começou por referir o ministro da Justiça, Gérald Darmanin, numa entrevista ao TF1. “Gostaria de pedir perdão à sua família e ao povo francês, que está legitimamente chocado e aterrorizado ao ver estas falhas”, acrescentou.
O próprio presidente de França, Emmanuel Macron, já veio comentar a falha “inaceitável” da justiça, afirmando que as investigações administrativas devem ser “muito rápidas” e estabelecer “responsabilidades coletivas, sistémicas e, potencialmente, individuais, e tomar todas as medidas necessárias”.
Lyhanna, de 11 anos, foi vista pela última vez no dia 29 de maio em frente à sua escola, a entrar no carro de Barella. O homem nega desde o desaparecimento da menor que a tivesse transportado mas, confrontado com as imagens de videovigilância, acabou por dizer que a tinha levado até uma piscina municipal, que estava encerrada naquele dia.
Jérôme Barella foi formalmente acusado na segunda-feira de rapto e sequestro e colocado em prisão preventiva. O corpo de Lyhanna viria a ser encontrado dias depois, na sexta-feira, dia 5 de junho.

