Paquistão envia soldados para Arábia Saudita em novo pacto de defesa

Paquistão envia soldados para Arábia Saudita em novo pacto de defesa

O Governo do Paquistão enviou centenas de soldados para a Arábia Saudita, aliada envolvida num crescente conflito com Huthis do Iémen, afirmaram à EFE fontes de segurança.

© Reuters


08/10/2026
por

Lusa

O Governo do Paquistão enviou centenas de soldados para a Arábia Saudita, aliada envolvida num crescente conflito com Huthis do Iémen, afirmaram à EFE fontes de segurança.

 

“O Paquistão mantém tropas mobilizadas na Arábia Saudita há décadas para fins de treino e logística, mas agora foram enviados para o Reino centenas de soldados adicionais ao abrigo do Acordo de Defesa de Meca”, disse à EFE um responsável de segurança que pediu o anonimato.

As Forças Armadas, adiantou, preparam o envio de mais tropas. A autoridade não detalhou quantos militares já chegaram, nem onde estão sediados, e recusou-se a fornecer informações sobre qualquer mobilização de aeronaves paquistanesas em bases de Riade.

A Arábia Saudita, a Turquia e o Paquistão ativaram na segunda-feira o pacto de defesa conjunta — assinado em agosto — para efetivar a cláusula de assistência da aliança tripartida, segundo a qual uma agressão a um parceiro é um ataque contra todos.

O envio de efetivos para solo saudita visa responder à escalada dos rebeldes Huthis iemenitas, apoiados pelo Irão.

O Ministério da Informação do Paquistão classificou hoje como “falsas e fabricadas” as notícias sobre a utilização de aviões paquistaneses contra os Huthis.

O Paquistão, tinham dito anteriormente fontes de segurança à EFE, já mantinha mais de 10 mil soldados estacionados na Arábia Saudita antes da assinatura do acordo de Meca.

O pacto trilateral de defesa mútua reúne os recursos financeiros sauditas, o poder militar turco e o arsenal nuclear paquistanês e estipula que um ataque a qualquer dos signatários equivale a uma agressão a todos, em moldes semelhantes ao Artigo 5.º da NATO, a aliança militar ocidental.

O papel do Paquistão na aliança tripartida consolidou-se no final de setembro com a nomeação do tenente-general Nauman Mahmood para chefiar o secretariado-geral em Riade — um cargo de natureza rotativa entre as três nações.

Mahmood é um militar veterano especializado no combate a grupos terroristas e na vigilância de fronteiras perigosas, como a do Afeganistão na altura da retirada das tropas norte-americanas.

Os Huthis, cujo nome oficial é Ansar Allah, são um movimento político-religioso de maioria xiita militarmente apoiado pelo Irão e desde 2014 em guerra civil no Iémen com as tropas governamentais, apoiadas por uma coligação internacional liderada pela Arábia Saudita, razão pela qual têm atacado o país.

A 03 de setembro, os Huthis lançaram uma ofensiva sobre zonas das províncias de Taiz e Hodeida e, desde então, obtiveram avanços territoriais significativos, incluindo a tomada da cidade portuária de Moca e dos arredores do estreito de Bab el-Mandeb, o que representou um duro golpe para as autoridades internacionalmente reconhecidas.

O ministro dos Negócios Estrangeiros turco, Hakan Fidan, sublinhou hoje o caráter defensivo do acordo de defesa de Meca e garantiu que não autorizará ataques de tropas turcas destacadas no estrangeiro.

A declaração foi feita numa conferência de imprensa conjunta em Ancara, na qual Fidan anunciou que “já foram concluídos os trâmites necessários” para que o Acordo de Defesa Conjunta assinado em Meca, em agosto deste ano, seja apresentado ao parlamento do país.

“Se um país signatário do acordo for atacado, receberá apoio para a sua defesa. Não se trata de um acordo de ataque”, esclareceu o chefe da diplomacia turca, sublinhando que o pacto prevê a defesa mútua, caso um dos seus signatários seja alvo de um ataque.

Reiterou também que o papel da Turquia no âmbito do pacto consiste em “fornecer apoio” quando outro dos Estados-membros é atacado, sem que tal implique autorização para a Turquia posicionar tropas no território de outro país com o objetivo de realizar uma ofensiva.

“Este não é um acordo de ataque. A Turquia não enviará as suas tropas para o território de outro país para lançar um ataque a partir daí. É um acordo de defesa”, afirmou categoricamente Fidan, lamentando que “a retórica política barata que por vezes surge não tenha correspondência com a realidade”.

Estas declarações foram emitidas depois de as forças da coligação internacional liderada pela Arábia Saudita, que apoiam o Governo do Iémen internacionalmente reconhecido, terem anunciado ataques a mais de 80 “alvos militares legítimos pertencentes à milícia terrorista Huthi”.

Entre estes, incluem-se “locais de lançamento de mísseis balísticos” em várias zonas do norte e do oeste do Iémen controladas pelos rebeldes.

Fidan justificou essas operações como uma resposta às agressões Huthis aos aeroportos sauditas de Riade e Abha.

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