Huthis atacam aeroporto internacional de Riade

Huthis atacam aeroporto internacional de Riade

O grupo político e armado iemenita dos Huthis, apoiados pelo Irão, reivindicou hoje um ataque ao aeroporto internacional de Riade e voltou a atingir uma refinaria da Aramco e infraestruturas militares.

© AFP via Getty Images


05/10/2026
por

Lusa

Os ataques, realizados com drones, mísseis balísticos e mísseis de cruzeiro, “tiveram como alvo o aeroporto internacional de Riade”, disse o porta-voz militar Huthi, Yahya Saree, acrescentando que “a refinaria da Aramco em Rabigh” também foi atingida, assim como as instalações militares e os aeroportos no sul do país.

 

Ao mesmo tempo, a coligação liderada pela Arábia Saudita no Iémen anunciou ter atacado “alvos militares” em al-Hudaydah, um importante porto do Mar Vermelho controlado pelos Huthis.

A Turquia e o Paquistão, unidos por um pacto de defesa mútua com a Arábia Saudita, anunciaram que iriam enviar forças militares para o reino, que tem sido alvo de ataques regulares dos combatentes Huthis.

Segundo o porta-voz da coligação, Turki al-Malki, as forças navais “destruíram depósitos de armas, instalações que albergavam barcos-bomba e minas” e “frustraram um ataque planeado” nas vias navegáveis do sul do Mar Vermelho.

As hostilidades entre as forças governamentais iemenitas, apoiadas pela Arábia Saudita, e os combatentes Huthis, que governam grande parte do Iémen há uma década, foram retomadas em julho, após anos de relativa calma, abrindo uma nova frente na guerra do Médio Oriente.

Após uma ofensiva relâmpago em setembro, os Huthis assumiram o controlo de toda a costa ocidental do Iémen, banhada pelo Mar Vermelho, e, desde então, têm atacado regularmente as instalações petrolíferas e militares do reino vizinho.

A Arábia Saudita e as forças governamentais iemenitas, que lutam para repelir os ataques dos Huthis, têm solicitado repetidamente apoio internacional, particularmente dos Estados Unidos, até agora sem sucesso.

Após uma reunião em Riade, a Turquia, o Paquistão e a Arábia Saudita concordaram em “ativar imediatamente o acordo de defesa mútua” assinado em agosto, em Meca, e “tomar as medidas necessárias para fornecer as forças e os recursos militares acordados e implantá-los rapidamente no reino”, segundo uma declaração conjunta dos três países.

O texto não menciona diretamente os Huthis pró-Irão, mas “condena, nos termos mais fortes”, os ataques contra as cidades sagradas de Medina e Meca — atribuídos aos Huthis pela Arábia Saudita — bem como “os ataques contínuos contra as cidades e as infraestruturas civis e económicas do país”.

Esta é a primeira vez que este acordo, que une o segundo maior exército da NATO (Turquia), a principal potência do Golfo (Arábia Saudita) e a única potência nuclear do mundo muçulmano (Paquistão), é posto em prática.

Apoiadas por aviões de guerra sauditas, as forças governamentais iemenitas anunciaram no domingo uma grande contraofensiva para retomar territórios recentemente conquistados pelos Huthis, ou mesmo expulsá-los de todo o país.

Os combatentes Huthis, por sua vez, alertaram as companhias aéreas de que o espaço aéreo sobre a Arábia Saudita “deixou de ser seguro” — com exceção das cidades sagradas de Medina e Meca, que, segundo referiram, nunca foram alvos de ataques.

No domingo, o oleoduto Leste-Oeste, de importância estratégica e que permite à Arábia Saudita transportar o seu petróleo – bloqueado a leste devido ao encerramento do estreito de Ormuz – para oeste do reino, também foi alvo de ataques e teve as suas operações interrompidas.

O presidente da gigante petrolífera saudita Aramco alertou para o nível “perigosamente baixo” das reservas globais de petróleo.

A coligação declarou ainda que “fornecerá cobertura aérea para o estreito de Bab el-Mandeb”, essencial para o transporte de hidrocarbonetos.

Os Huthis reforçaram o seu controlo sobre este estreito em setembro, cuja importância estratégica aumentou com o bloqueio do estreito de Ormuz pelo Irão, do outro lado da península arábica, após o início da guerra no Médio Oriente, em fevereiro.

Fortes explosões ouvidas em Riade e ONU alerta para escalada

Fortes explosões foram ouvidas esta segunda-feira à noite em Riade, na Arábia Saudita, país que tem sido alvo frequente de ataques dos huthis do Iémen, segundo residentes e um jornalista da agência France-Presse (AFP).

Lusa | 19:05 – 05/10/2026

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