Arábia Saudita confirma 3 mortes em ataques dos Huthis a aeroportos

Arábia Saudita confirma 3 mortes em ataques dos Huthis a aeroportos

A Arábia Saudita confirmou hoje que três civis morreram em ataques dos Huthis contra os seus aeroportos, enquanto o conflito no Iémen se intensifica.

© Reuters


07/10/2026
por

Lusa

Os Huthis tinham anteriormente reivindicado disparos de mísseis e drones contra o aeroporto internacional de Riade e o de Abha, no sudoeste do reino.

 

Segundo a Autoridade Geral de Aviação Civil da Arábia Saudita, nos ataques morreram cidadãos do Egito, da Argélia e do Sudão, e outras 36 pessoas ficaram feridas, algumas em estado grave.

Por seu lado, a coligação militar liderada pelos sauditas reivindicou em comunicado ter “destruído a plataforma de lançamento de mísseis balísticos” utilizada para realizar o ataque contra o aeroporto de Riade.

O tráfego aéreo no local tem vindo a sofrer interrupções frequentes há vários dias, segundo o site de monitorização Flightradar24, enquanto os Huthis avisaram as companhias aéreas de que o espaço aéreo saudita “não é seguro”.

O conflito entre estes rebeldes — que há mais de uma década controlam a capital iemenita, Sana, e vastas áreas do país — e o governo reconhecido pela comunidade internacional e apoiado pela Arábia Saudita reacendeu-se em julho, após anos de relativa calma, tornando-se uma nova frente de guerra no Médio Oriente.

Desde então, 201.217 pessoas “foram forçadas a abandonar as suas casas”, segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM), que alerta para a falta de recursos financeiros necessários para enfrentar esta nova crise humanitária no país mais pobre da Península Arábica.

Em setembro, uma ofensiva-relâmpago dos Huthis permitiu-lhes assumir o controlo de toda a costa iemenita virada para o Mar Vermelho e reforçar o domínio sobre o estratégico estreito de Bab el-Mandeb, que liga a Ásia à Europa através do Canal do Suez.

As forças governamentais, apoiadas por aviões de combate sauditas, lançaram uma contraofensiva no passado fim de semana, reivindicando “vitórias em várias frentes”.

No entanto, os Huthis contestam estes avanços, e fontes militares de ambos os lados ouvidas pela AFP não relataram alterações significativas no terreno.

As posições de cada lado são difíceis de determinar de forma independente, em zonas de difícil acesso para os jornalistas.

Novos confrontos no oeste do Iémen fizeram hoje pelo menos 62 mortos, segundo fontes militares de ambos os lados, elevando para mais de 330 o número de combatentes mortos desde segunda-feira.

A coligação saudita voltou a bombardear, durante a noite, várias regiões controladas pelos combatentes, incluindo a capital Sana, segundo os Huthis, que contabilizaram “1.642 ataques aéreos e com mísseis sauditas nos últimos três meses”.

Estes, por sua vez, atacaram uma base militar na zona do aeroporto de Áden, no sul do Iémen, para onde o governo se retirou em 2015, no início do conflito.

Segundo o Ministério dos Transportes, um míssil caiu perto da pista de aterragem minutos antes da chegada de um voo da companhia aérea iemenita vindo do Cairo, que teve de ser desviado para um aeroporto saudita.

A agência de notícias governamental Saba também noticiou um ataque à grande cidade de Taiz — controlada pelas forças governamentais, mas parcialmente cercada pelos Huthis —, deixando cinco civis feridos.

Com dificuldades em repelir os ataques dos Huthis, tanto na Arábia Saudita como no Iémen, Riade e os seus aliados têm solicitado repetidamente apoio internacional nas últimas semanas — sobretudo dos Estados Unidos —, mas sem sucesso até ao momento.

A Turquia, o Paquistão e a Arábia Saudita concordaram em avançar “de imediato para a implementação” de um acordo de defesa assinado em agosto, em Meca. Na segunda-feira, anunciaram a intenção de “fornecer as forças e os meios militares acordados e implantá-los rapidamente no reino”.

O conflito continua a afetar gravemente o sector petrolífero saudita — Riade é o maior exportador mundial de crude —, com ataques regulares dos Huthis às refinarias do reino e à frota saudita no Mar Vermelho.

Os rebeldes disseram que atingiram na segunda-feira o aeroporto internacional da capital saudita, Riade, e uma refinaria da petrolífera estatal Aramco.

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