12.500 filmes e documentários em risco no arquivo moçambicano

12.500 filmes e documentários em risco no arquivo moçambicano

Moçambique enfrenta dificuldades na preservação do seu património audiovisual, com cerca de 12.500 filmes e documentários no arquivo nacional em risco, necessitando de melhores condições de conservação, incluindo refrigeração e digitalização, disseram hoje responsáveis do setor.

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27/10/2026
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Lusa

Moçambique enfrenta dificuldades na preservação do seu património audiovisual, com cerca de 12.500 filmes e documentários no arquivo nacional em risco, necessitando de melhores condições de conservação, incluindo refrigeração e digitalização, disseram hoje responsáveis do setor.

 

O acervo está guardado no Instituto Nacional das Indústrias Culturais e Criativas (INICC) e inclui registos do período colonial, da criação do Estado moçambicano e dos anos posteriores à independência. Segundo o diretor-geral da instituição, Roberto Dove, muitos destes materiais têm mais de 50 anos e estão sujeitos à deterioração.

“A nossa prioridade é que efetivamente possamos criar condições, sobretudo a questão da refrigeração do arquivo”, disse Roberto Dove aos jornalistas, explicando que as temperaturas elevadas aceleram a deterioração das películas e comprometem a conservação dos registos históricos.

Além das condições de conservação do acervo existente no país, as autoridades procuram identificar e recuperar materiais audiovisuais moçambicanos que se encontram em arquivos e museus estrangeiros. Segundo o responsável, ainda não existem números exatos sobre a dimensão desse património, que se pretende recuperar ou tornar acessível aos moçambicanos por meios digitais.

Neste processo, a Cooperação Espanhola e a Cinemateca Portuguesa colaboram com as autoridades moçambicanas na identificação e digitalização de documentos. Conforme o responsável, cerca de 300 filmes e documentários estão a ser digitalizados em Lisboa, numa operação que depende da disponibilidade de recursos e de condições técnicas.

“Neste momento nós ainda não temos condições para fazer a digitalização aqui”, afirmou Dove, defendendo a criação de capacidade técnica em Moçambique para tratar e preservar os materiais audiovisuais.

O cineasta Luís Manuel Simão, antigo diretor-geral de produção do Instituto Nacional de Cinema, alertou para o risco de perda de registos gravados em películas e antigas fitas de vídeo, devido à falta de equipamentos adequados para a sua reprodução. Entre os materiais existentes estão imagens de atividades oficiais e visitas realizadas nos primeiros anos após a independência.

Luís Manuel Simão defendeu o reforço dos meios técnicos para permitir a digitalização no país, observando que parte dos materiais produzidos durante o período colonial e nas décadas seguintes ainda precisa de ser identificada e tratada. O cineasta recordou que algumas fitas foram produzidas com equipamentos antigos, cuja tecnologia deixou de estar disponível.

“Provavelmente vamos perder grande parte disso”, advertiu, referindo-se às antigas fitas de vídeo que já não podem ser reproduzidas com os equipamentos disponíveis. O cineasta sublinhou a importância de preservar estes registos para manter a memória histórica do país e permitir o acesso das futuras gerações às imagens.

As declarações foram feitas durante uma mesa-redonda subordinada ao tema “Memória Audiovisual Moçambicana: Desafios da Preservação e do Acesso”, promovida hoje pelo INICC, em Maputo, no âmbito do Dia Mundial do Património Audiovisual, assinalado em 27 de outubro. A iniciativa debateu os desafios da conservação, digitalização e recuperação de materiais históricos.

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