A ONG Iemenita de Direitos e Liberdades informou que pelo menos 212 civis, incluindo 38 menores, morreram desde setembro em ataques dos houthis em Taiz, com 319 feridos e 1.891 crimes documentados.
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24/10/2026
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Lusa
A Rede Iemenita de Direitos e Liberdades denunciou hoje que pelo menos 212 civis, entre os quais 38 menores, morreram desde setembro em bombardeamentos “indiscriminados”, disparos de atiradores furtivos e minas terrestres dos rebeldes houthis na província de Taiz.
No seu último relatório, a ONG indica ainda ter registado 319 feridos devido a estes ataques, entre os quais se encontram 29 crianças, referindo que os insurgentes infligiram “espancamentos” a 137 pessoas e levaram a cabo “23 execuções sumárias” contra civis e membros das forças pró-governamentais do Iémen.
No total, a organização documentou 1.891 “crimes e violações” entre 01 de setembro e 22 de outubro, período em que foram registados quase 9.900 disparos “indiscriminados” de granadas de morteiro, obuses, artilharia, foguetes, drones e mísseis balísticos que visaram, na sua maioria, bairros residenciais.
Isto coincide com a escalada da ofensiva dos houthis contra a cidade de Taiz, à qual impõem um cerco há já algumas semanas e que sitiam diariamente para assumir o controlo, deixando a população civil sem acesso a bens de primeira necessidade e a serviços essenciais.
No entanto, alertou que estes números não são exaustivos, uma vez que o acesso a algumas zonas “continua a ser impossível devido aos combates e às restrições de acesso no terreno”.
Por outro lado, a ONG denunciou que os houthis transformaram cinco escolas da província em “salas de operações militares, depósitos de armas e prisões”, indicando que os insurgentes têm atacado ambulâncias e hospitais.
Além disso, alertou para o agravamento do cerco à cidade de Taiz, onde, desde 03 de setembro, os insurgentes estabeleceram 26 postos de controlo militar e barricadas, tendo cortado a estrada principal que liga à província vizinha de Lahj e a Aden, sede do Governo internacionalmente reconhecido do Iémen.
Este cerco implica “o bloqueio da entrada de alimentos, medicamentos, produtos derivados do petróleo, cilindros de oxigénio e água potável”, bem como a obstrução da ajuda humanitária e dos alimentos básicos para centenas de milhares de pessoas.
Cerca de 280.000 pessoas da província de Taizo, no sudoeste do país, viram-se obrigadas a abandonar as suas casas devido à ofensiva rebelde, segundo a ONG, que instou a comunidade internacional e a ONU a declarar a cidade como “cidade sinistrada” e a adotar medidas urgentes para travar os ataques e levantar o cerco.

