João Catarré interpreta António no filme “Santo António – O Casamenteiro de Lisboa”, que se estreou no dia 10 de setembro. O ator esteve à conversa com o Notícias ao Minuto sobre este projeto, que o deixou “muito surpreendido e com vontade de o fazer” assim que leu o guião.
© Ana Paganini
19/09/2026
por
“O amor está acima de qualquer coisa.” Estas foram as primeiras palavras de João Catarré para descrever “Santo António – O Casamenteiro de Lisboa”, o filme de Ruben Alves que chegou às salas de cinema no dia 10 de setembro. Esta longa-metragem é protagonizada por Rita Blanco e Joaquim Monchique.
Nesta história, João Catarré dá vida a António. A sua personagem está detida e consegue uma ‘rápida’ saída da prisão para casar-se com Fátima, papel de Jacqueline Corado, nos casamentos de Santo António. Este é o início de um papel que tem depois algumas ‘aventuras’ – e até meio caricatas.
Em conversa com o Notícias ao Minuto, o ator afirmou que dar vida a este António foi bom. “Quando o Ruben começou a descrever o que era o filme e esta abordagem da globalização, de vir comprar tradições lisboetas e portuguesas, já despertou alguma curiosidade. Quando ele começou a mostrar o guião fiquei muito surpreendido e com vontade de fazer. Quando ele começou a mostrar a personagem… aí foi mesmo o topo”, recordou.
“Fiquei com muita vontade de fazer esta personagem, descobri-la, criá-la em conjunto com o Ruben, e fiquei cheio de vontade de contar esta história. Fui sempre surpreendido num crescendo de entusiasmo e de vontade em criar esta magia que este filme tem”, acrescentou.
Além de falar na tradição que marca as festas dos santos populares, “Santo António – O Casamenteiro de Lisboa” aborda outras questões como a chegada do turismo. “Cresci na linha de Sintra e quando vinha a Lisboa era de comboio, e eram poucas vezes – quando era muito novo. Tenho uma memória da Baixa, da Avenida da Liberdade, Chiado, toda a Lisboa muito diferente da realidade que existe hoje. E sim, isto é tudo fruto da vinda do turismo, da globalização“, comentou ao fazer a passagem do grande ecrã para a realidade.
“Como cidadão, tenho pena que muitas das tradições que existiam em Lisboa se tenham perdido, algumas, mas faz tudo parte do avanço da vida, dos países, da globalização. É claro que muitas coisas ficam na memória – muitas delas porque já não existem hoje em dia. Por exemplo, a própria Ginjinha já é uma coisa muito rara aqui. Mesmo assim, continuamos a ter todos os anos as Marchas de Lisboa e os próprios casamentos de Santo António – continuamos a preservar isso”, acrescentou.
“Este entrosamento de turistas com lisboetas e esta desconstrução em que tudo o que era típico agora tem outro tipo de embalagem para vender para o turista, de certa forma deixa-me triste. Mas como cidadão há alguma compreensão, porque quando vamos a outras cidades no estrangeiro percebemos que não é só em Lisboa que isso está a acontecer”, disse ainda.
Questionado sobre se é possível manter a identidade do país e evoluir, ou se a identidade acaba sempre por se perder um bocadinho, o ator partilhou: “A identidade do país faz-se pelas pessoas. E enquanto formos portugueses orgulhosos do nosso país e da nossa cidade, os lisboetas orgulhosos de serem lisboetas, por mais que existam transformações nos produtos, nas campanhas e nos eventos, não vai conseguir quebrar ou descaracterizar o português em si e Portugal como país – e Lisboa como cidade.”
João Catarré tem estado muito presente no cinema e na televisão nacional nestes últimos tempos. Além de “Santo António – O Casamenteiro de Lisboa”, também integrou o elenco do filme “Protejo Global”, que estreou no dia 23 de abril. No pequeno ecrã esteve mais recentemente presente na novela “A Promessa” e “Terra Forte”.
Falando da conciliação de projetos, o ator reconheceu que “é um desafio fazer a gestão entre personagens e histórias diferentes”. Mas não deixa de ser positivo.
“Claro que é muito melhor quando estamos só dedicados a um projeto, há outro tipo de introspeção, de dedicação à personagem e à história. Mas uma coisa não invalida a outra. E às vezes até é desafiante porque estar a fazer televisão e um filme ao mesmo tempo não nos deixa estar descansados nem relaxar. Portanto, o sistema nervoso está sempre a atuar e a mente sempre a querer criar de formas diferentes, consequentemente o contexto e o projeto onde se está inserido”, completou.

