Os manifestantes da Acampada de Lisboa pela Habitação cancelaram a ida prevista ao Pátio das Quintinhas, após um acordo com moradores que tinham ordem de despejo, anunciado na assembleia popular de hoje.
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04/11/2026
por
Lusa
Os manifestantes da Acampada de Lisboa pela Habitação cancelaram hoje a ida que tinham prevista, na quinta-feira, ao Pátio das Quintinhas por ter sido alcançado um acordo entre autarquia e moradores que tinham ordem de despejo.
A informação foi dada na assembleia popular de hoje na praça D. Pedro IV, onde estão montadas cerca de 60 tendas.
“Já não vamos porque se chegou a um compromisso com os moradores”, disseram os responsáveis da acampada.
Assim, na quinta-feira serão os moradores a estar na Rossio, anunciaram, informação recebida com gritos de “o povo unidos jamais será vencido”.
A ida ao Pátio das Quintinhas, no bairro do Beato, em Lisboa, tinha sido decidida na assembleia popular de segunda-feira, na sequência da recente ordem de despejo recebida por mais de 100 pessoas que moravam num prédio naquela zona.
Na sequência de um processo executivo da empresa AC Rodrigues, Construções e Investimentos S.A., o prédio foi vendido e àquelas 30 famílias tinham sido dados 10 dias para sair das suas habitações.
Entre manifestações e as denominadas acampadas, os atuais protestos contra a crise na habitação tiveram início no Porto a 10 de outubro e expandiram-se a Lisboa, mas já motivaram também concentrações noutras cidades.
A intervenção da PSP para dispersar as acampadas e retirar as tendas no Rossio, em Lisboa, e na Praça D. João I, no Porto, culminou em cargas policiais e arremesso de objetos, provocando mais de duas dezenas de feridos entre manifestantes e polícias.
A atuação policial motivou um pedido de esclarecimentos do Presidente da República, António José Seguro, ao Governo e à Provedora de Justiça, e o anúncio de uma queixa-crime, por parte de um advogado, por abuso de poder contra o ministro da Administração Interna e o diretor da PSP.
Os manifestantes exigem, entre outras coisas, a reversão da nova lei do arrendamento, um travão à aquisição de habitação por parte dos fundos imobiliários e tetos “verdadeiramente acessíveis” à renda.

