O governador republicano do Alasca, Mike Dunleavy, ordenou uma investigação a uma candidatura ao Senado alegadamente promovida pela campanha democrata para prejudicar o senador republicano Dan Sullivan.
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29/10/2026
por
Lusa
O governador republicano do Alasca, Mike Dunleavy, ordenou uma investigação a uma candidatura ao Senado norte-americano alegadamente promovida pela campanha democrata para prejudicar o senador republicano Dan Sullivan.
A investigação preliminar pretende determinar se foram violadas as leis eleitorais do estado e se existem fundamentos para avançar com processos judiciais, de natureza criminal ou civil, anunciou Dunleavy na rede social X.
Em causa está a candidatura de Daniel J. Sullivan Jr., um professor reformado que partilha o nome e apelido do senador republicano Dan Sullivan, apoiado pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, e que enfrenta uma disputa renhida com a democrata Mary Peltola.
Uma investigação divulgada na quarta-feira pelo jornal The New York Times revelou que membros da campanha de Peltola incentivaram a candidatura do professor reformado, numa estratégia destinada a dividir os votos republicanos.
A investigação jornalística, baseada em entrevistas, mensagens e documentos, não identificou, contudo, qualquer comportamento ilegal.
O governador considerou que as revelações constituem “novas provas perturbadoras de um esforço organizado para manipular as eleições no Alasca”, através do recrutamento de candidatos destinados a confundir os eleitores.
“Enganar deliberadamente os eleitores para que votem noutra pessoa que não o candidato que pretendem apoiar atinge a integridade das nossas eleições”, afirmou Dunleavy.
As autoridades eleitorais do Alasca tinham inicialmente rejeitado a candidatura de Daniel J. Sullivan Jr., considerando que poderia comprometer a imparcialidade do boletim de voto.
No entanto, o Supremo Tribunal do estado decidiu, em junho, que o candidato reunia as condições legais para concorrer.
O professor reformado, residente na comunidade piscatória de Petersburg, negou repetidamente ter sido recrutado pelos democratas e assegurou nunca ter mantido contactos com a campanha de Peltola.
Nos boletins de voto, os dois candidatos são diferenciados pelo nome e pela identificação partidária: o senador surge como “Dan S. Sullivan”, identificado como republicano e titular do cargo, enquanto o seu homónimo aparece como “Daniel J. Sullivan Jr.”, sem filiação partidária indicada.
O Alasca utiliza um sistema eleitoral em que os eleitores podem ordenar os candidatos por preferência, em vez de escolherem apenas um nome.
Mary Peltola, antiga congressista democrata, rejeitou as acusações, classificando a polémica como uma tentativa de desviar as atenções de questões políticas, incluindo o apoio do senador republicano à guerra contra o Irão.
Na quarta-feira, Trump defendeu a abertura de processos criminais contra Peltola e os responsáveis pela sua campanha, tendo também apelado à invalidação das candidaturas da democrata e de Daniel J. Sullivan Jr.
O Presidente norte-americano já tinha anunciado uma iniciativa judicial preventiva para contestar uma eventual vitória democrata no Alasca.
O Departamento de Justiça apresentou uma ação num tribunal federal para impedir as autoridades estaduais de certificarem resultados eleitorais que possam ter sido afetados pela alegada confusão entre os candidatos.
A iniciativa pretende obrigar as autoridades eleitorais a determinar, em caso de derrota do senador republicano, até que ponto a candidatura do seu homónimo poderá ter influenciado o resultado.
A disputa é uma das eleições consideradas decisivas para determinar o controlo do Senado nas intercalares de 03 de novembro.
Embora Trump tenha vencido no Alasca nas presidenciais de 2024 por uma margem de 13 pontos percentuais, as sondagens mais recentes citadas pela imprensa norte-americana colocam Peltola ligeiramente à frente do senador republicano.

