Dois homens foram condenados pelo Tribunal Regional de Hamburgo por espionarem alvos judeus e planearem atentados contra um ex-político alemão, a mando do Irão.
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15/10/2026
por
Lusa
Dois iranianos
Dois homens foram hoje condenados pelo Tribunal Regional de Hamburgo, no norte da Alemanha, por espiarem, a mando do Irão, alvos judeus de possíveis atentados e planearem um ataque a um ex-político alemão.
Acatando o pedido da acusação, o tribunal condenou Ali S., de 54 anos, a oito anos e meio de prisão, pelos crimes de espionagem para uma potência estrangeira com fins de sabotagem e de participação em tentativas de homicídio e incêndio, e o seu cúmplice, Tawab M., foi condenado a quatro anos e meio de prisão por participação numa tentativa de homicídio.
A defesa, por seu lado, havia requerido a absolvição de ambos os cidadãos iranianos, residentes na Dinamarca.
O tribunal considerou provado que Ali S. recebia ordens diretamente de oficiais das chamadas Brigadas Quds, o braço externo da Guarda Revolucionária iraniana, que o recrutaram para realizar “atividades de terrorismo estatal dirigidas a partir do Irão e executadas na Alemanha”.
Ali S. iniciou os preparativos para um ataque incendiário a um supermercado de produtos ‘kosher’ em Berlim e também espiou, sob ordens do regime de Teerão, os movimentos do presidente do Conselho Central dos Judeus, Josef Schuster, e do ex-deputado do partido Os Verdes e atual presidente da Sociedade Germano-Israelita, Volker Beck.
Tawab M. foi recrutado por Ali S, o mais tardar em maio de 2025, para o ajudar a cometer o atentado contra Beck, mas depois acabaram por decidir que o cúmplice não o executaria pessoalmente, mas que encontraria outra pessoa para o fazer e lhe forneceria uma arma.
A sentença ainda não transitou em julgado e é passível de recurso no prazo de uma semana.
Uma das vítimas da conspiração, Volker Beck, declarou, ao tomar conhecimento da sentença, que o processo demonstrou até que ponto o Irão “está a exportar o seu terror para a Alemanha”, defendendo que tal não pode ficar sem consequências políticas.
“É preciso expulsar imediatamente o embaixador iraniano! É preciso reduzir drasticamente, ao mínimo, o pessoal da embaixada iraniana”, sustentou Beck num comunicado.

