O modelo de Inteligência Artificial (IA) português Amália vai ajudar os militares da Marinha a tomar decisões mais rápidas, sem descurar o fator humano, e evitar a exposição de dados classificados ou sensíveis, adiantou hoje o ramo.
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01/07/2026
por
Lusa
A Marinha respondia a perguntas colocadas pela agência Lusa, depois de o primeiro-ministro e presidente do PSD, Luís Montenegro, ter adiantado no 43.º Congresso do partido, em junho, que o Amália – apresentado hoje – iria “apoiar operações mais críticas, como nas Forças Armadas, na Marinha em particular”.
A Armada apontou que o Amália é o “primeiro modelo de linguagem de larga escala desenvolvido especificamente para o português europeu” e que está a ser integrado “na ferramenta de inteligência artificial Marinheiro de Silício”, atualmente em desenvolvimento pelo ramo em parceria com a NOVA FCT, “como um dos grandes modelos de linguagem disponíveis na plataforma”.
Interrogado sobre de como é que este modelo poderá ser usado na prática pelos militares, o ramo adiantou que a integração do Amália no Marinheiro de Silício permitirá disponibilizar aos militares e civis da Marinha um “assistente inteligente” capaz de apoiar “atividades de pesquisa, análise e tratamento de informação em ambientes seguros, reduzindo o tempo necessário para executar tarefas intensivas em conhecimento e aumentando a eficiência dos processos”.
“Este apoio assume particular relevância quando estão em causa informações classificadas, sensíveis ou críticas para a missão, cuja natureza impede a utilização de plataformas públicas de inteligência artificial”, salientou o ramo.
A Marinha prevê que esta ferramenta apoie “processos de planeamento, preparação, condução das operações e análise pós-missão, permitindo acelerar a pesquisa e exploração de informação relevante, sintetizar grandes volumes de dados e apoiar a preparação de produtos de informação destinados ao processo de decisão”.
O ramo realçou, contudo, que “o objetivo não é substituir a decisão humana, mas disponibilizar informação tratada e contextualizada que permita aos comandantes e estados-maiores decidir de forma mais rápida e mais informada”.
“A ferramenta poderá apoiar os militares na consulta rápida de documentação técnica, procedimentos, diretivas e lições aprendidas, produzir sínteses de informação operacional, apoiar a tradução de documentação, estruturar conhecimento e facilitar a preparação de relatórios e produtos de apoio ao comando”, é elencado.
Em situações que exijam “rapidez de análise e decisão”, a plataforma poderá “reduzir significativamente o tempo necessário para localizar, organizar e apresentar informação relevante, contribuindo para aumentar o conhecimento situacional e apoiar as funções de comando e controlo, mantendo sempre o decisor humano como responsável pela decisão final”, insistiu a Marinha.
A integração do Amália no Marinheiro de Silício “enquadra-se na estratégia da Marinha de reforçar a soberania tecnológica e assegurar que o processamento de informação sensível possa ser realizado em ambientes controlados, sem dependência de serviços externos”.
“Após a sua consolidação, a arquitetura tecnológica desenvolvida no âmbito do Marinheiro de Silício poderá constituir uma referência passível de adoção por outras entidades da Administração Pública, pelas Forças Armadas e pelas forças e serviços de segurança, desde que disponham da infraestrutura computacional necessária”, acrescentou o ramo na resposta à Lusa.

