O presidente do Conselho Europeu, António Costa, defendeu hoje o reforço da relação entre a União Europeia e a América Latina, considerando-o uma “necessidade estratégica”, e agradeceu a Portugal e Espanha o esforço nesse sentido.
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05/11/2026
por
Lusa
O presidente do Conselho Europeu, António Costa, defendeu hoje o reforço da relação entre a União Europeia e a América Latina, considerando-o uma “necessidade estratégica”, e agradeceu a Portugal e Espanha o esforço nesse sentido.
“No contexto atual, reforçar a relação entre a União Europeia e a América Latina não é uma opção, mas uma necessidade estratégica. Neste esforço, Espanha e Portugal desempenham um papel fundamental, sustentando e aprofundando a nossa associação birregional. Em nome dos outros 25 Estados-membros, quero agradecer ao Reino de Espanha e à República Portuguesa”, afirmou António Costa.
António Costa falava perante a 30.ª Cimeira Ibero-Americana, que hoje termina em Madrid, desafiando os chefes de Estado e de Governo desta comunidade a contribuir para o êxito da cimeira entre a União Europeia e a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC), que decorrerá em 2027, em Bruxelas.
Portugal está representado na Cimeira Ibero-Americana pelo Presidente da República, António José Seguro, e pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro.
O presidente do Conselho Europeu e antigo primeiro-ministro português reportou-se à primeira Cimeira Ibero-Americana, que decorreu em 1991, em Guadalajara, no México, para se referir às mudanças ocorridas no mundo, que, destacou, vivia então um “momento de esperança”, com o fim da Guerra Fria e o aumento do multilateralismo.
“Trinta e cinco anos depois, o mundo mudou profundamente. A rivalidade entre potências intensifica-se, multiplicam-se os conflitos e ressurge o protecionismo”, apontou, para sublinhar, neste contexto, a necessidade de aprofundamento da relação entre a União Europeia e a América Latina.
O presidente do Conselho Europeu defendeu também que o fortalecimento das Nações Unidas é uma “prioridade partilhada”, e disse a União Europeia acompanha “com muito interesse a contribuição da América Latina” na eleição do próximo secretário-geral das Nações Unidas.
“Apesar de o processo ibero-americano e da relação birregional entre a União Europeia e a CELAC terem as suas dinâmicas próprias, devemos entender-nos como partes do mesmo espaço estratégico”, sustentou.
Para António Costa, o importante é que “ambos os espaços avancem na mesma direção”, destacando a cooperação em matéria de segurança.
“A luta contra a criminalidade organizada é uma prioridade partilhada e essencial para nós”, defendeu Costa, depois de vários representantes presentes na cimeira terem sublinhado a necessidade de coordenação no combate ao narcotráfico.
O presidente do Conselho Europeu destacou que a União Europeia é o primeiro investidor estrangeiro na região, incluindo também o Caribe, com mais de 800 milhões de euros de investimento direto.
“Estamos perante uma verdadeira janela de oportunidade. É o momento de transformar a nossa proximidade numa autêntica fortaleza estratégica”, declarou.
António Costa iniciou a sua intervenção com uma manifestação de solidariedade para com as vítimas do acidente ferroviário da semana passada em Espanha, em que morreram 69 pessoas, incluindo um cidadão português.
As cimeiras ibero-americanas realizam-se a cada dois anos e Portugal propôs ser o anfitrião da de 2030, que se seguirá à de 2028, nas Honduras.
A comunidade é composta por três países europeus (Portugal, Espanha e Andorra) e 19 latino-americanos (Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai, Peru, Uruguai, Venezuela, México, Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Honduras, Nicarágua, Panamá, Cuba e República Dominicana).

